segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Tenham medo!

 Das bruxas? Não!

Do diabo? Também não, isso não existe, foi invenção dos padres para segurar e sossegar as ovelhas do seu rebanho!

Dos ladrões? Talvez, em especial se forem brasileiros ligados ao PCC que são piores que o diabo!

Mas o que me faz trazer aqui este assunto, hoje, são as figueiras. O meu quintal é pequeno, mas já tive mais de meia dúzia de figueiras em plena produção. Estupidez minha, pois cá em casa ninguém gosta de figos e tinha que ir à procura de alguém que os viesse apanhar (e levar de borla) com pena de ver perder aquela riqueza de fruto que adoro e a minha Diabetes não aconselha a consumir.

A minha cara metade não gosta de figos nem de figueiras. Suponho que o culpado desse mal foi o Judas Iscariotes por se ter resolvido a pendurar pelo pescoço, até a sua alma abandonar o corpo amaldiçoado por ter atraiçoado o Mestre. Acresce que ela também acredita no diabo e acha que foi ele a escolher o local e a árvore onde o Judas se enforcou. E imagina-o sentado num ramo da dita, bem lá no alto, preparado para apanhar a alma do Judas e levá-la para o inferno, mal ele esticasse o pernil.

Nestas circunstâncias ela não descansou enquanto não me fez cortar as figueiras todas que, para além do mais, deixavam cair os figos mais maduros sobre os passeios por onde ela passava e lhe sujavam a sola dos sapatos. Ok, disse-lhe eu, vou cortar todas menos esta! E apontei para uma grande que dá uns figos brancos (tipo moscatel) de que eu gosto muito. Até hoje, essa figueira tem dado montes de figos que eu tenho comido sem ligar muito à tal de Diabetes que só veio para me infernizar a vida!

Mas a sorte dessa figueira mudou este ano. Eu esperava toneladas de figos que fariam a minha delícia e de mais alguém a quem os teria que oferecer, depois de subir à figueira, com risco de me estatelar no chão, e os colher e acondiconar numa cestinha para fazer a oferta parecer mais valiosa. Mas o verão foi avançando e os figos nada de amadurecer, coisas do clima, penso eu!

Nos fins de Agosto, lá consegui encher uma pequena bacia de plástico, com um gancho adaptado por mim para servir de cesta de vindima, que deram para matar os desejos e ainda sobrou para fazer uma tarte de figo que estava de estalar os dedos e lamber os beiços!

Depois disso, vieram uns pingos de chuva, os figos mais adiantados abriram-se todos, apodrecendo de seguida, e mais nenhum, a partir desse momento, amadureceu normalmente. Antes de atingirem o ponto de maturação ideal, começavam a apodrecer por dentro. E a minha mulher voltou à carga: - eu bem te disse, devias ter cortado essa figueira também que só serve para fazer porcaria e meter-me o medo na alma. Depois de anoitecer, nem consigo abrir a porta do quintal, pois vejo o diabo a rir-se, encarrapitado no ramo mais alto.

Convenceu-me, peqguei no meu serrote de poda e atirei-me à figueira com a força do ódio que lhe ganhei por não me ter dado os figos que prometera e eu esperava com ânsia. Ramo após ramo, ela foi caindo em fanicos, lã em baixo, junto do próprio pé. Quando desci fiquei envolvido em ramos e folhas de figueira até à cintura. Depois olhei para cima e vi o esqueleto, como braços erguidos ao céu pedindo perdão pelo acto do Judas que levou Jesus Cristo até ao Monte das Oliveiras, onde o pregaram na cruz.

Ontem, foi o dia para montar um esquema, com a ajuda da minha filha, para conseguir cortar esses ramos mais grossos sem que nenhum deles me caísse em cima da cabeça e provocasse algum mal maior. Às tantas, um deles ficou encravado no meio de outros e tive que lhe deitar as unhas e usar todas as minhas poucas forças para o fazer descer até ao chão, em segurança. Como estava muito calor e eu tinha os braços nus, fiquei com a pele encostada à casca da figueira o que me provocou uma alergia desregrada.

Ao fim do dia, mesmo depois de lavar os braços duas vezes com sabão e bem esfregados, a sensação era a mesma que conheci, em Moçambique, quando apanhado pelo «feijão macaco». Coçar, coçar até arrancar a pele! Voltei a lavar os braços, até ao ombro, depois passei-os com álcool e de seguida com Fenistil para evitar a comiçhão. Mesmo assim, mal dormi esta noite, até em sonhos me coçava sem parar e levantei-me a meio da noite para mais uma dose de Fenistil!

Por isso, eu vos aviso, tenham medo das figueiras que são piores que o diabo ou as bruxas que dizem andar por aí a assustar meio mundo !!!


Mas, gosto tanto de figos que, no mês que vem,
vou à procura de uma destas!

2 comentários:

  1. Já tive uma figueira mas a passarada e as visitas de morcêgos levou-me a desistir. O que tenho agora são arvores de calamansi - muito apreciado na culinária do southeast Asia, um mango tree que deve estar com falta de pollination, um limoeiro Meyer indespensável para as ostras e uma lima tambem conhecida como lima de Tahití ou lima persa. De agricultura rasteira e como bom alfacinha tenho alfaces com fartura, french beans and of course... tomates!

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  2. FiGOS a fruta favorita do meu cara-metade.
    Embora eu goste de figos, há outras frutas que são muito mais da minha preferência.
    O meu jardim está rodeado de árvores e no chão relvado.

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Tenham medo!

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