Houve uma altura da minha vida em que pensei em recorrer aos tribunais para averbar o apelido de Macieira ao meu Silva, herdado do meu pai. Depois, cheguei à conclusão que ficaria a perder mais que ganhar e abandonei a ideia. Hoje, voltei a pensar nisso ao ver a foto do atleta que podem ver acima e joga nos juvenis do Mafra.
O meu nome é Manuel, tão comum em Portugal que é quase como não ter nome nenhum. Quando ingressei na Marinha passei a ser Carlos, nome que substituiu o 29 com que fui brindado durante os primeiros seis meses, até ser mobilizado para Moçambique. Aí cruzei-me com um antigo colega de estudos que me tratou por Carlos e Carlos fiquei até hoje.
O apelido Silva, do meu pai, também ele é tão comum e de significado tão primário que comecei a desejar acrescentar-lhe outro que me pudesse, de facto personalizar. Aconteceu um dia, quando andava enfronhado na Genealogia das gentes da minha aldeia, esbarrar com o apelido Macieira que, do nada, começou a ser usado pelos filhos da Bernardina Martins.
Mas deixem-me explicar quem era a Bernardina, senão não vão dar o mínimo valor a esta minha historieta. Martins era o apelido mais antigo do lugar e freguesia em que nasci. Família grande de muitos filhos que se foram casando e espalhando pela freguesia toda e assim chegamos ao princípio do século XIX, quando o Sr. Manuel Martins casado com a Ana Maria, lavradores abastados do lugar de Modeste, geraram e puseram no mundo a Bernardina, a número 5 de 7 filhos, que haveria de dar que falar na aldeia.
A Bernardina devia ser fresca para assar. Namoriscou, com certeza, alguns rapazes, mas não convenceu nenhum a levá-la ao altar. Aos 29 anos de idade ofereceu ao seu pai uma neta a que deu o nome de Maria que era nome quase obrigatório, a invocar o nome da mãe de Jesus, para dar à primeira filha de qualquer mulher. O nome próprio estava resolvido, como resolver a questão do apelido? Havia donzelas enganadas que, talvez por vingança, ou se acharem no direito de o fazer , davam ao filho o apelido do pai incógnito. A Bernardina não optou por essa solução, mas também não quis envergonhar a cara do pai, acrescentando o apelido Martins à prova viva do seu pecado.
Assim, ela inventou uma solução inovadora, juntando o apelido Macieira ao nome de Maria. E eu até concordo com ela, se a Maria nasceu em Macieira, porque razão não poderia ser conhecida como Maria (de) Macieira? E assim ficou ela e os seus dois irmãos, Joaquim e Manuel, a serem os Macieiras da freguesia de Macieira que, uns anos mais tarde, seria também a minha!
Durante os 5 anos que passei em Moçambique, eu passei a ser o Tintinaine, alcunha que carrego até hoje, por conta da minha ligação aos fuzileiros, à Guerra Colonial e a Moçambique. Como se pode ver, além dos meus números que deram origem ao nome deste meu ainda novo blog, também tenho uma rica colecção de nomes. Mas não o Macieira que, durante algum tempo, pensei ter o direito de usar, Manuel Macieira, tal e qual como o puto que joga futebol pelo Mafra e, quase de certeza, não nasceu em Macieira, como eu nasci (em 1944)!

