terça-feira, 9 de junho de 2026

Em 2013, neste dia!

 Vou recuar no tempo até ao dia em que caí na asneira de organizar o convívio anual dos filhos da escola de Março de 62! Os marujos (alunos de Vila Franca) e os fuzos (alunos de Vale de Zebro) nunca se deram bem por razões óbvias. Uns achavam-se herdeiros das tradições do Infante D. Henrique e Vasco da Gama, enquanto que os outros foram chamados à pressa e lançados no mato africano para defender a Pátria ameaçada.

Cada um deles tinha as suas razões e muitas glórias conseguidas no passado, mas em 2013 tudo o que se pretendia era comer um almoço em paz e harmonia organizado, pela primeira vez, por um fuzo, euzinho da Silva, o Tintinaine da Escola de Fuzileiros que falava inglês e, por essa razão e mais nenhuma teve direito a usar essa alcunha até ao dia em que o Criador resolver chamar-me à sua presença para acertarmos as contas. Espero que Ele não seja muito exigente e rigoroso, senão estarei feito ao bife que os pecados são muitos!

Comemos o almoço, mas não fomos capazes de o digerir em paz e acabamos o dia numa guerra pegada jurando para nunca mais repetir uma asneira destas. Dos cerca de 900 filhos da escola desse recrutamento, um terço era fuzo e dois terços marujos. Eles estavam em maioria e, por conseguinte, que organizassem a coisa, no ano a seguir, que comigo não poderiam contar mais. Saiu a fava ao Teixeira, voluntário como eu, o 56 da Escola de Alunos Marinheiros.

 Com a tarde a chegar ao fim e os ânimos exaltados decidi partir e ir procurar dormida em Torres Novas que ficava ali mesmo ao lado e serviria de ponto de partida para uma viagem pelo Alentejo que eu pretendia fazer no dia seguinte, o Dia de Portugal. Por acaso, nesse ano de 2013, tinha sido decidido que as comemorações oficiais se desenrolariam em Elvas, junto ao Aqueduto da Amoreira, Ex-Libris dessa cidade alentejana.

Levantei-me cedo, mas a viagem é longa e quando, finalmente, avistei o aqueduto já as tropas desmobilizavam e as autoridades civis e militares tinham partido á procura do Almoço. De Torres Novas a Abrantes, daí até Portalegre para depois acelerar em direcção a Elvas, tive que ouvir das boas da minha acompanhante que não gosta de ver o conta quilómetros ultrapassar os 100 à hora. E depois apanhei muitas placas de 50 pelo caminho, o que quer queiramos ou não nos obriga a refrear os ânimos.

Depois da festa oficial a que presidiu o Cavaco e o respectivo pupilo Passos Coelho, fui à procura de dois filhos da minha escola, oriundos daquela cidade, com quem tinha apalavrado um almoço em conjunto. Mas, antes do almoço, ainda fomos dar uma volta pela cidade, espreitar o Forte de Elvas, onde a PIDE fez sofrer tantos militares "mal comportados", e as Forças Armadas em parada com as suas armas e bagagens a tentar imitar o que se faz em Moscovo ou Pequim.

Desse dois filhos da escola, um já partiu para o Além e o outro, mais novo um bom pedaço, anda, como eu próprio, a amargar uns tratamentos oncológicos que lhe permitam andar por cá mais uns tempos. Passei um bocado da tarde com ele, em casa do seu pai, o velho Santana, de quem tomava conta, mês sim mês não, alternando com outro irmão que o ajudava nessa missão. Depois disso, rumei a norte, fui às cerejas ao Fundão e pernoitei na Covilhã, relembrando andanças antigas, para no dia seguinte subir a Serra da Estrela e ver se encontrava um restaurante que servisse um cabritinho para o almoço.

E pouco mais tenho a contar. O caminho de regresso é sempre um pouco mais triste que o de ida, pois nos lembra que a festa acabou e a vida real volta com todo o seu peso. Vou deixar-vos aqui um par de fotos - se forem mais que duas não me castiguem pelo erro das palavras - para recordar outros feitos e outras eras que foram importantes na nossa História.

Olivença (centro) onde já se realizaram também estas comemorações e
amanhã acontecerá algum tipo de festa também.

Zona da fronteira do Caia com Elvas e Olivença bem
próximas uma da outra, mas separadas por uma questuiúncula
que nuestros hermanos teimam em manter, desde os
tempos de Napoleão Bonaparte.

Imagem da famosa batalha das Linhas de Elvas em que garantimos
a nossa independência do reino de Castela!

Em 2013, neste dia!

 Vou recuar no tempo até ao dia em que caí na asneira de organizar o convívio anual dos filhos da escola de Março de 62! Os marujos (alunos ...