De facto, a partir do Japão, China ou Coreia, rumar à Europa através do Estreito de Béring é muito melhor do que dar a volta ao continente africano, no caso de a rota do Mar Vermelho ficar fora de serviço, seja por acção dos piratas ou pela Guerra do Irão de quem os Houtis do Iémen são aliados.
Todos os estreitos que é preciso atravessar até chegar à Europa podem ser um obstáculo e vivendo como temos vivido, nos últimos tempos, sob a ameaça de guerras diversas, se os pudermos evitar, navegando pelo Oceano Glaciar Ártico, tanto melhor. Assim o gelo o permita e não jogue icebergs contra os navios, como fez com o Titanic.
No passado sábado saiu da Coreia do Sul um navio porta-contentores para testar a nova rota. Prevê-se que a viagem dure cerca de 45 dias, visitando os portos de Felixstowe, Roterdão e Gdansk, antes de inverter a rota e voltar a casa. Vi essa notícia na TV, durante o fim de semana, o que me deu a ideia para escrever esta crónica.
Quem vai delirar com esta notícia é o Putin que se vai ficar a rir com as sanções que o proíbem de exportar o seu petróleo para onde dele precisem, em especial a China e a Índia. Esta nova rota ficará 100% sob a sua alçada e só lá passam (à vontade) os comunistas como ele, a a China ou a Coreia do Norte.
Acresce ainda que o petróleo do Irão pode viajar para a Rússia, através do Mar Cáspio, e seguir essa rota para chegar à China, ficando os iranianos a rir-se do bloqueio do Trump. Claro que tudo isto tem os seus custos, mas é uma porta que se abre para quem não se quer submeter ao poderio americano.

