Os recursos de Gás Natural (GN) existentes no offshore da Bacia do Rovuma em Cabo Delgado em jazidas de águas profundas, são extraordinários e de grande dimensão (reservas estimadas de 125 a 130 triliões de pés cúbicos (tcf)). Esta reserva descoberta em 2010 pode ser das maiores de GN de toda a África e aproximar Moçambique das potências do gás em África, nomeadamente a Nigéria e a Argélia. Moçambique surge já em 13º lugar no ranking das reservas provadas a nível global, prevendo-se o aumento para valores ainda mais significativos para os próximos anos. Este gás não associado é ainda considerado tecnicamente um gás de boa qualidade exploratória.
A Guerra Colonial levou-me para Moçambique com 18 anos de idade. Passei lá a época em que o rapaz se transforma em homem com tudo o que isso implica. Não admira, portanto, que eu considere esse país como a minha segunda pátria e, assim sendo, todas as notícias que se relacionem com ele me interessem sobremaneira.
A exploração de gás e petróleo, na bacia do Rovuma, nada pacífica por causa do terrorismo que ali se instalou e só interesses muito obscuros justificam, deveria trazer a Moçambique um pouco de riqueza de que o povo tanto necessita para sair da lista dos países mais pobres do mundo, sempre de mão estendida a esmolar uma ajudinha, seja na saúde, na educação ou ainda na assistência social. No entanto e até hoje, não se nota na vida dos moçambicanos qualquer melhoria vinda desse negócio.
Segundo é referido pelas más-línguas, a Frelimo e os seus muitos afilhados derretem toda a riqueza que o país produz, além das muitas esmolas vindas da ajuda internacional. Os governos que têm gerido o país eram (foram) constituídos por antigos membros do partido que andaram envolvidos na Guerra Colonial. Das últimas eleições saiu um governo, liderado por um advogado, Daniel Chapo, constituído, maioritariamente, por gente mais nova e em grande parte nascida depois da independência para quem essa guerra já não tem qualquer significado.
Um dos pontos que me deixa preocupado é a incapacidade de travarem o terrorismo na província de Cabo Delgado. Eu sei que Moçambique não tem umas Forças Armadas no verdadeiro sentido do termo, treinadas e capacitadas para defender o enorme território que os portugueses lhe deixaram de herança, mas é uma vergonha o pouco, quase nada, que conseguem fazer naquela província do litoral norte do país. A própria polícia é um amontoado de gente que recebeu o cargo como prémio da sua fidelidade ao partido e que sendo mal paga recorre a todo o tipo de corrupçãozinha para levar a vida.
Algumas das decisões do presidente Chapo, neste início do ano de 2026, parecem dar a entender que as coisas começam a mudar. As suas viagens pelo estrangeiro, os contactos feitos e algumas obras lançadas levam-me a pensar que agora é que vai ser, que as coisas vão começar a entrar nos eixos. O programa de melhoramentos das estradas na província do Niassa é um exemplo disso. É incrível como um país daquele tamanho não tem ainda uma única autoestrada e mesmo a EN1 que liga a capital ao norte do país, passando pela Beira, é uma manta de retalhos de alcatrão com muitos buracos pelo meio, onde os meios de transporte pesado se vêem e desejam para progredir na sua marcha.
No Niassa só muito recentemente foi concluída a ligação entre Nampula-Cuamba-Lichinga com um tapete de alcatrão digno desse nome. As outras duas estradas que conheço ligam Lichinga a Marrupa, em direcção ao oceano indico, mas ainda longe dele, e em direcção ao poente, onde fica o lago Niassa, já houve uma estrada alcatroada (com cerca de 120 Kms), mas hoje mais de metade desse trajecto voltou à terra batida (vulgo matope) que se transforma num inferno no tempo das chuvas.
Duração: O plano estende-se por cinco anos (2026-2031).
Este programa e a distribuição de muitas dezenas de autocarros na província de Maputo, acontecido no passado fim de semana, são a prova de que algo está a mudar e espero que agora seja para valer.


