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domingo, 26 de julho de 2026

A Procissão!

 

Ontem, foi o dia do santo, mas é hoje que a procissão sai à rua! Nas aldeias de Portugal é habitual acontecer isso, pois a semana consta de 6 dias de trabalho e 1 para descansar e pensar em festas!

Na minha terra também funciona assim. E, actualmente, com a crise em que vivemos, os andores são pequeninos e carregados por mulheres, coisa impensável nos tempos de antigamente. Com excepção do andor de S. Tiago que é sempre o maior de todos, tão grande que era difícil fazê-lo passar por baixo dos grandes carvalhos que enchiam o adro da igreja.

Vai daí, a comissão fabriqueira que zela por essas coisas da igreja mandou abater todos os carvalhos e plantar umas miniaturas de oliveira que serão podadas a contento do Sr. Abade para que o andor passe sem atritos. E, no fim, talvez ainda colha uns alqueires de azeitona que dará para manter acesa a candeia que ilumina o Santíssimo!

Já eram grandes, quando eu fui baptizado e agora foram transformados em lenha para aquecer alguém, esses carvalhos que embelezavam o adro. Não tinha que ser assim, era uma questão de aperfeiçoar a poda, mas há ideias contra as quais não vale a pena lutar. Bota abaixo que assim não se fala mais nisso!

E, já agora, a candeia do Santíssimo foi substituída por uma lâmpada eléctrica e as azeitonas já podem ser destinadas a outros fins, por exemplo, a merenda do Sr. Abade, depois da festa!

sábado, 25 de julho de 2026

Foi há 54 anos!

 


Parece muito, mas passou num ápice! Mal dei por isso! E, daqui a pouco, vou encontrar-me com o meu filho que nasceu no dia de S. Tiago, no ano da graça de 1972, e comer e beber à sua saúde. Que tenha muita e sempre boa, melhor que a minha, se for possível, e chegue aos 90 sem grandes preocupações.

Não lhe dei o nome de Tiago, porque queria que ele tivesse um nome com história e que se interessasse por ela, como eu sempre fiz. Gente sem história não tem passado nem futuro, assim chamei-lhe MARCO AURÉLIO e ensinei-o a gostar da história de Roma antiga.

Herdou mais coisas da mãe que do pai, mas o cocktail saiu melhorado e não tenho razão de queixa. Custou a encontrar o seu caminho, a nível profissional, mas acho que a coisa, agora, está resolvida. Trabalho não lhe falta e ele não é de lhe virar as costas, por isso está como um comboio em cima dos carris, a inércia não o deixará parar.

O nome de Tiago ficou reservado para um sobrinho que nasceu alguns anos depois e de quem me encarreguei também até sair da universidade. Agora já voa sozinho e serve o governo de Luís Montenegro, como Técnico Revisor de Contas. Podia estar melhor, mas não está mal de todo!

Isto do TIAGO tem a ver com a única festa que eu conheci, quando era criança, a de S. Tiago, na minha aldeia natal. Tempo da Escola Primária em que tudo era novidade. Carros não havia, estradas também não, andava todo o mundo de bicicleta para ir "ver a moça" ou a festa de S. Tiago com sermão e missa cantada, onde não faltava uma banda de música e foguetes no ar a cada passo.

Vida simples de gente simples que vivia para o trabalho e não conhecia grandes prazeres. Trabalhar de sol a sol, 365 dias por ano, com um leve abrandar das actividades no dia de domingo, era o fado de cada um naquele fim de guerra em que o Salazar evitou que entrássemos, mas cujo efeito se fez sentir e bem, durante os meus primeiros 10 anos de vida. Bens de primeira necessidade racionados e miséria à vista por todo o lado.

Muitas graças tenho que dar a Deus pelo pai e mãe que me reservou, pois deram o litro para que a fome, impossível de evitar numa família que crescia todos os anos, fosse suportável e não provocasse mazelas na saúde de todos nós. E no dia da festa do S. Tiago rezávamos uma oração especial ao nosso santo para que nos protegesse por mais um ano.

Passado o dia da festa, começavam as uvas a pintar e até fim de Setembro eram a nossa manteiga para amaciar a broa de milho, por vezes já bolorenta, que era o nosso alimento principal. Uma fatia de pão de milho 5 vezes ao dia era dose cavalar, mas sem isso era a fome garantida. No recreio da escola ou no campo, a meio da tarde, com meia dúzia de azeitonas, era assim que lutávamos contra a "larica".

Obrigado, S. Tiago, por me teres trazido até aqui! Há 82 anos que viajamos juntos e quando chegar aí a cima vou à tua procura para te agradecer, pessoalmente!

E vão 4 de uma vez!

 Há dias assim! Não sabia por onde começar e lembrei-me de ir ao Youtube buscar mais um clip do Adriano Celentano para vos dar a conhecer um...