Sendo Moçambique um dos países em que passei parte da minha vida, tudo o que lhe diga respeito me interessa. Independente, há mais de 50 anos, tem andado mais para trás que para diante, no que à sua independência concerne. Os 16 anos de guerra civil ajudaram a entrar nessa espiral negativa e será a exploração do petróleo e gás da Bacia do Rovuma, na zona litoral norte, que porá o país na rota do desenvolvimento e ajudará a conquistar a verdadeira independência que procuram desde que se desligaram de Portugal
Talvez seja tempo de ampliar o próprio conceito de independência económica. No passado, discutíamos a capacidade de produzir aquilo que consumimos, financiar aquilo que investimos e exportar aquilo que produzimos.
No futuro, teremos também de discutir a capacidade de produzir e dominar o conhecimento que sustenta aquilo que produzimos. É neste ponto que a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a ser uma questão de desenvolvimento nacional.
A independência económica não significará fechar Moçambique ao mundo. Pelo contrário. Significará participar melhor no mundo: negociar melhor, produzir melhor; inovar mais, acrescentar mais valor e depender menos daquilo que podemos aprender a fazer.
O verdadeiro desafio não será impedir a entrada da Inteligência Artificial em Moçambique. Será garantir que ela entre em Moçambique como instrumento de emancipação económica e não como uma nova forma de dependência.
No entanto, os actos de terrorismo que forças hostis, sabe Deus patrocinadas por quem, têm tornado esse projecto difícil de entrar em velocidade de cruzeiro. Os investimentos foram suspensos, durante anos, e só agora parece terem entrado de novo na agenda do governo. O presidente Chapo tem trabalhado para tornar isso viável e conseguiu obrigar a francesa Total Energies a relançar o seu plano de obra, parado há muito, por causa da insegurança da zona de Palma.
Os ataques dos chamados insurgentes também abrandaram nos últimos tempos, pelo menos não os tenho visto referidos nas notícias internacionais. Há cerca de 4 anos, eles tinham até corrido com os militares de algumas vilas e ocupado os edifícios principais, como aconteceu em Macomia. Agora têm-se limitado a incoomodar a população rural, queimando-lhes as casas e roubando-lhe os bens alimentares que lhe fazem falta para a sua andança pelo "mato".
Embora tivesse corrido a notícia de que as forças ruandesas seriam retiradas do terreno, isso não veio a acontecer, como se percebe pela notícia acima, Se correr tudo bem, a segunda plataforma móvel entrará em laboração durante o próximo ano e duplicará a produção da empresa Eni, única em exploração de facto até hoje, e espera-se que os investimentos da Total Energies e Exxon-Mobil comecem também a dar frutos, antes do fim da corrente década.
