sábado, 31 de outubro de 2026

A brutalidade dos números!

 Há dias, assisti a um programa televisivo, retransmitido de um canal estrangeiro (não recordo se da CNN ou Sky News) em que afirmaram que as baixas ucranianas, desde o dia 1 deste mês, estavam quase a chegar aos 50 mil, uma barbaridade impensável! Com mais 3 ou 4 dias em cima disso, deve ter ultrapassado os tais 50 mil. Há também quem fale em cerca de 1160 mortos, por dia, como uma média testada, desde Janeiro deste ano!

Não admira que o presidente Zelensky tenha pensado em desistir para acabar com esse morticínio dos seus concidadãos que um dia lhe podem atirar à cara. Duas perdas gigantescas, em dinheiro e vidas humanas, nos quase 5 anos de guerra. E isto para não falar nas deslocações, destruição de propriedade, separação de famílias e outros males menores em que, num momento tão complicado, ninguém equaciona. Qualquer político mal intencionado pode apontar-lhe o dedo e dizer: - és o culpado desta desgraça, Zelensky!

Neste tipo de situações, eu costumo perguntar a mim próprio o que faria eu se estivesse no lugar dele. E não encontro uma resposta fácil. Sem pensar muito, assim de surpresa, eu diria que faria exactamente o mesmo que ele, defender a pátria e os seus valores até ao último suspiro do último resistente. Mas, pensando melhor, talvez valesse a pena auscultar a opinião de quem está no barco com ele. A tormenta é grande e podem perder mais do que ganhar nesta guerra.

O que pensará a maioria dos ucranianos, muitos dos quais também se sentem um pouco russos por heranças do passado? Muitos há que nunca aceitariam viver num regime dictatorial como o de Putin, mas tenho a certeza que haverá outros que prefeririam isso a morrer. Fazer um referendo está fora de questão, pois não há condições para isso, mas reunir os políticos mais influentes e os generais mais bem informados e auscultar o que pensam sobre um assunto tão sério seria, talvez, uma solução.

Só sei que não é fácil e dou graças a Deus por não me ver nessa situação! Mas ao invocar os poderes divinos vem-me à lembrança uma coisa que ouvi da boca de um brasileiro que não alinha muito com a minha religião. Disse ele que se houvesse Deus e fosse como o pintam, Ele nunca permitiria esta barbaridade e já teria, há muito, mandado o Putin para o inferno que é o único lugar que ele merece. Se e quando ele fizer isso, eu entrarei numa igreja e pedirei perdão pela minha descrença, terminou o brasileiro.

E eu termino dizendo que só me admira que não haja ninguém que, vendo o mal que ele está a provocar, a ucranianos, a russos e muita mais gente pelo mundo fora, não ache um meio de o pôr fora de combate. Até tu, Brutus, meu filho, disse César, quando foi apunhalado! Arranjem um Bruto que more em Moscovo e tenha coração e que seja capaz de entrar na cozinha do Kremlin e envenenar-lhe o jantar. Na próxima noite, a das bruxas, seria o momento ideal!

A brutalidade dos números!

 Há dias, assisti a um programa televisivo, retransmitido de um canal estrangeiro (não recordo se da CNN ou Sky News) em que afirmaram que a...