quinta-feira, 11 de junho de 2026

De volta a 1980!

 


Grande salão de exposições, em Londres, decorria a feira têxtil e de confecções a que assisti algumas vezes. Esta uma manhã sossegada sem grande movimento e eu entretinha-me na conversa com um cliente que morava em Belfast e tinha uma voz nasalada que, por vezes e aliada ao sotaque próprio da Irlanda, eu me via aflito para descodificar.

De repente, aproxima-se um homem, já entradote na idade, com a farda da organização do evento, põe a mão em forma de concha, em frente á sua boca, e diz: - This is a bomb alert, abandomn the premises now and quietly! (Alerta de bomba, abandonem o edifício já e nas calmas).

Foi o tempo em que após os muitos atentados em Belfast, o IRA decidiu transferir a guerra para a capital inglesa para eles, os ingleses, sofrerem aquilo que os nacionalistas irlandeses sofriam na pele na sua terra natal, onde eram oprimidos pelos ocupantes (tal como ainda hoje acontece).

Respeitando a ordem, eu e os meus companheiros pusemo-nos na rua em três tempos. Escondemo-nos pelos cantos à espera de ouvir o tradicional boom e os gritos das pessoas, mas não aconteceu nada. Cerca de meia hora mais tarde veio a informação de que se tratou de falso alarme e voltámos todos aos nossos afazeres na paz do Senhor.

Os recentes acontecimentos, em Belfast, com autocarros incendiados, pancadaria, tiros e muita confusão fizeram-me recordar este episódio do tempo em que andava de malinha na mão a correr as capitais europeias, de feira em feira e a aturar os caprichos dos clientes. O cliente tem sempre razão, ensinaram-me, e eu que fui sempre bom aluno nunca me esqueci disso. Paris, Londres, Milão ou Colónia eram-me familiares nesses tempos e foram o meu campo de batalha, nos últimos 20 anos do século XX.

Agora, estou velho e trôpego e nem um alerta de bomba me faria correr. Como diz o ditado, quem já andou não tem para andar!

N.B. - A figura acima, para quem não conhece, pertence a Gerry Adams, carismático líder do IRA, nesses tempos conturbados da guerra contra a Inglaterra de Elizabeth II.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Luís de Camões!

 Ele foi um grande poeta
O nosso Luís de Camões
Por azar ficou cegueta
Trocou um olho por dez tostões!


É dia de Portugal!
Já foi dia da Raça!
Também é de Camões
E das comunidades de emigrantes
espelhados por todo o mundo!!!




terça-feira, 9 de junho de 2026

Em 2013, neste dia!

 Vou recuar no tempo até ao dia em que caí na asneira de organizar o convívio anual dos filhos da escola de Março de 62! Os marujos (alunos de Vila Franca) e os fuzos (alunos de Vale de Zebro) nunca se deram bem por razões óbvias. Uns achavam-se herdeiros das tradições do Infante D. Henrique e Vasco da Gama, enquanto que os outros foram chamados à pressa e lançados no mato africano para defender a Pátria ameaçada.

Cada um deles tinha as suas razões e muitas glórias conseguidas no passado, mas em 2013 tudo o que se pretendia era comer um almoço em paz e harmonia organizado, pela primeira vez, por um fuzo, euzinho da Silva, o Tintinaine da Escola de Fuzileiros que falava inglês e, por essa razão e mais nenhuma teve direito a usar essa alcunha até ao dia em que o Criador resolver chamar-me à sua presença para acertarmos as contas. Espero que Ele não seja muito exigente e rigoroso, senão estarei feito ao bife que os pecados são muitos!

Comemos o almoço, mas não fomos capazes de o digerir em paz e acabamos o dia numa guerra pegada jurando para nunca mais repetir uma asneira destas. Dos cerca de 900 filhos da escola desse recrutamento, um terço era fuzo e dois terços marujos. Eles estavam em maioria e, por conseguinte, que organizassem a coisa, no ano a seguir, que comigo não poderiam contar mais. Saiu a fava ao Teixeira, voluntário como eu, o 56 da Escola de Alunos Marinheiros.

 Com a tarde a chegar ao fim e os ânimos exaltados decidi partir e ir procurar dormida em Torres Novas que ficava ali mesmo ao lado e serviria de ponto de partida para uma viagem pelo Alentejo que eu pretendia fazer no dia seguinte, o Dia de Portugal. Por acaso, nesse ano de 2013, tinha sido decidido que as comemorações oficiais se desenrolariam em Elvas, junto ao Aqueduto da Amoreira, Ex-Libris dessa cidade alentejana.

Levantei-me cedo, mas a viagem é longa e quando, finalmente, avistei o aqueduto já as tropas desmobilizavam e as autoridades civis e militares tinham partido á procura do Almoço. De Torres Novas a Abrantes, daí até Portalegre para depois acelerar em direcção a Elvas, tive que ouvir das boas da minha acompanhante que não gosta de ver o conta quilómetros ultrapassar os 100 à hora. E depois apanhei muitas placas de 50 pelo caminho, o que quer queiramos ou não nos obriga a refrear os ânimos.

Depois da festa oficial a que presidiu o Cavaco e o respectivo pupilo Passos Coelho, fui à procura de dois filhos da minha escola, oriundos daquela cidade, com quem tinha apalavrado um almoço em conjunto. Mas, antes do almoço, ainda fomos dar uma volta pela cidade, espreitar o Forte de Elvas, onde a PIDE fez sofrer tantos militares "mal comportados", e as Forças Armadas em parada com as suas armas e bagagens a tentar imitar o que se faz em Moscovo ou Pequim.

Desse dois filhos da escola, um já partiu para o Além e o outro, mais novo um bom pedaço, anda, como eu próprio, a amargar uns tratamentos oncológicos que lhe permitam andar por cá mais uns tempos. Passei um bocado da tarde com ele, em casa do seu pai, o velho Santana, de quem tomava conta, mês sim mês não, alternando com outro irmão que o ajudava nessa missão. Depois disso, rumei a norte, fui às cerejas ao Fundão e pernoitei na Covilhã, relembrando andanças antigas, para no dia seguinte subir a Serra da Estrela e ver se encontrava um restaurante que servisse um cabritinho para o almoço.

E pouco mais tenho a contar. O caminho de regresso é sempre um pouco mais triste que o de ida, pois nos lembra que a festa acabou e a vida real volta com todo o seu peso. Vou deixar-vos aqui um par de fotos - se forem mais que duas não me castiguem pelo erro das palavras - para recordar outros feitos e outras eras que foram importantes na nossa História.

Olivença (centro) onde já se realizaram também estas comemorações e
amanhã acontecerá algum tipo de festa também.

Zona da fronteira do Caia com Elvas e Olivença bem
próximas uma da outra, mas separadas por uma questuiúncula
que nuestros hermanos teimam em manter, desde os
tempos de Napoleão Bonaparte.

Imagem da famosa batalha das Linhas de Elvas em que garantimos
a nossa independência do reino de Castela!

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Eu e os combustíveis!

 Ao comprar carro a minha primeira preocupação é saber quanto consomem aos 100!

Até a cor era essa!

Nunca gostei de carros bêbados, mas já me tocaram 3! Acabei por me livrar deles depressa, embora com algum custo que não me agradou muito. O último que me calhou em sorte foi um Renault Laguna 1.8 que foi o segundo carro que comprei novo, a estrear, e me saiu uma grande barraca. Tinha um motor que era um espectáculo, mas bebia 12 litros, na cidade. Comprei-o em 1996, aguentei 3 anos até o deixar enfiado na garagem, a apodrecer!

Por causa dele, eu decidi mudar para o GPL, no ano de 1999, e com ele me mantive até 2012. Corri Portugal de lés-a-lés nesses 2 carros, um Toyota Carina II já entrado na idade que comprei de propósito para adaptar a gás e o Laguna que ficou encostado na garagem, durante uns anos e se estava a estragar por falta de uso. Gastei 1.500€ para o adaptar a gás, vendi o Toyota, e cheguei até ao ano de 2012, farto de andar à procura de postos de combustível para abastecer e que não eram muitos.

Numa viagem daqui para o Algarve era obrigado a parar em Palmela, freguesia de Aires, para encher o depósito e depois só em Olhão, ou Portimão, para repetir a dose. No interior, ao rés da fronteira espanhola, era ainda pior, raríssimos os pontos onde abastecer. E depois, o Laguna era mesmo bêbado, tanto a gasolina como a gás, e não fora o preço ser pela metade já há muito me teria livrado do carro.

No fim do ano de 2012, decidi que era tempo de dizer adeus ao GPL e não estava disposto a pagar o preço da gasolina, vai daí comprei uma carrinha Ford Mondeo a gasóleo (grande máquina), talvez o carro que mais gostei de conduzir até hoje. Ainda é meu, mas anda o meu neto mais novo a dar cabo dele até cair para o lado. Eu decidi regressar à gasolina, por culpa do Trump, do Montenegro e outros filhos da mãe que decidiram enriquecer à minha custa, e comprei um pequeno carro vindo da Ásia que espero não consuma mais de 5 litros aos 100.

O carro é mesmo pequeno, por exagero parece que vou sentado sobre a roda traseira, quando me sento ao volante! Estava habituado a uma bagageira enorme, onde cabia tudo, agora tenho que ter em atenção o que compro, senão tenho que pedir ajuda a alguém para me trazer o resto das coisas. Eu costumava comprar 6 embalagens de garrafas de água e só cabem lá 3! Resta-me o banco traseiro como alternativa para trazer o resto!

Comecei a conduzir em Mozambique (pela esquerda, à moda dos ingleses), mas só lá tirei carta de mota. Ao chegar aqui, depois de dizer adeus à guerra, fui tirar a carta e escolhi "pesados", pois não tinha emprego nem sabia o que a vida me reservava, por isso era um trunfo extra que me podia ser útil. Depois de ter carta não há ninguém que não se sinta tentado a apostar no seu primeiro carro. Fraquinho, ao jeito das minhas economias, chegou 1 ano e 1 mês antes do 25 de Abril de 1974 (uma espécie de prenda do meu 30º aniversário), um pequeno utilitário a gasolina que me serviu para aprender a conduzir nas estradas portuguesas.

E aqui estamos, 52 anos depois, de volta a um pequeno utilitário a gasolina que está, hoje, mais barata que o gasóleo, quem havia de dizer! A grande diferença é que a gasolina custava apenas 5$60 por litro, quando comecei a conduzir! Mas, em boa verdade, isso durou pouco, pois ainda durante o ano de 73 o preço subiu para 11$20, por motivos da Guerra do Petróleo que nos trouxe as enormes bichas, nas bombas de combustível, e as "Conversas em Família" do Professor Marcelo Caetano, na TV, ao serão!

domingo, 7 de junho de 2026

Na minha insónia!

A Starlink é um serviço de internet por satélite de alta velocidade desenvolvido pela SpaceX, empresa de Elon Musk, projetado para fornecer conexão estável e de baixa latência em qualquer lugar do planeta. Ao contrário dos serviços de satélite tradicionais que operam em órbitas distantes, a rede utiliza milhares de satélites em órbita baixa da Terra (LEO), reduzindo o tempo de resposta e permitindo atividades exigentes como videochamadas, jogos online e streaming em 4K.

De vez em quando esbarro em programas de TV noturnos que me despertam algum interesse. Hoje, aconteceu outra vez. Alguém perorava sobre as guerras, sobre a Nato, sobre o problema da Europa que não tem defesa nem pode confiar nos EUA para lha garantir. Falta organização, faltam armas, faltam homens (e mulheres), falta dinheiro e, em especial, faltam ideias.

Aquilo que se tem passado na Ucrânia é uma espécie de "abre-olhos" para nós todos europeus que, desde o fim da II Grande Guerra, temos vivido debaixo do guarda chuva protector da América. Finalmente, estamos a chegar à conclusão que a América tem sabido tratar dos seus interesses, enquanto que nós nos esquecemos disso por completo. Nós desistimos das bombas atómicas, porque eles as tinham e nos garantiram que seriam usadas para nos defender. Eles espalharam-nas um pouco por toda a Europa, apontadas para leste, mas duvidamos, hoje, que sejam capazes de as utilizar para nos defender.

Em especial numa situação como esta em que a presidência está nas mãos de um mentecapto que, por razões pessoais, está mais interessado naquilo que há a Leste que na velha Europa. Eles têm as bombas, os meios para as transportarem, além dos sistemas de comunicação que permitem e facilitam o seu uso. E mais ainda quando esses sistemas estão na mão de privados que não obedecem a nada nem ninguém, a não ser que isso lhes garanta algum lucro.

A Starlink, mencionada acima, é uma dessas ferramentas. A «Guerra dos Drones» que parece ser a arma do futuro, precisa dessa ferramenta para funcionar e sem ela são meros brinquedos sem grande serventia. Lembro-me bem daqueles filmes da série 007 - James Bond em que havia sempre alguma arma ou segredo militar a ser contrabandeado pelos maus para prejudicar os bons. Hoje, nem isso faz falta, o serviço da Starlink é vendido a quem quiser comprar e tiver dinheiro para pagar. O mesmo que é dizer que "estamos no mato e sem cachorro", ou nos fazemos amigos do Trump e do Elon Musk ou eles levam-nos a fisga e deixam-nos apenas as pedrinhas no bolso.

Dizia o tal programa a que estive a assistir que a guerra já foi de carros de combate, de grandes navios ou modernos aviões e artilharia a disparar à distância, agora é de quem tiver os chips - que estão em Taywan, na China, na Rússia - ou os minerais para os fabricar e a inteligência (natural ou artificial) para os saber utilizar. Qualquer puto munido de um computador e escondido numa cave em qualquer canto do mundo será capaz de causar mais prejuízo que todos os carros de combate existentes na Europa, no dia em que esta se vir forçada a defender-se dum inimigo que está a perder o resto da vergonha que ainda tinha.

Felizmente para nós, parvos e distraídos europeus, a Ucrânia tem vindo a tornar-se uma sumidade nessa arte e só temos que acarinhá-la e trazê-la para o nosso seio, o mais rápido possível, para começarmos a pensar na nossa defesa a sério. Hoje, está programado um encontro entre os 3 grandes da Europa (Alemanha, França e Reino Unido) e espero que este tema esteja em cima da mesa. Na minha opinião está na hora de desactivar a NATO, dizer adeus às maluquices de Trump, e lançar os alicerces de uma nova ordem que tenha em consideração as preocupações dos Países Bálticos, da Polónia ou da Roménia que estão no olho do furacão.

Nós, os do flanco sul, temos outras grandes preocupações, a começar pela invasão do continente por asiáticos e africanos que procuram aquilo que não encontram nos seus países, a começar pela liberdade. A miséria gera guerras e disso eles estão fartos, fugindo para a Europa, onde encontram tudo aquilo que lhes falta, pão, paz e liberdade para dizerem e fazerem o que lhes apetece. Virou-se o bico ao prego, eles estão a fazer-nos aquilo que nós lhes fizemos, desde o fim do século XV, desde a ponta de Sagres até ao Mormugão e mais além! 

sábado, 6 de junho de 2026

O Leão!

 Estive vai não vai para vos dar música! É sábado, dia de descanso, e o meu cérebro também precisa de algum repouso. Mas, como me tornei num cronista da moda, vou dedicar umas linhas ao leão que é o rei dos animais e tem como prioridade ajudar e proteger as suas fêmeas que caçam para ele não passar fome.

Não era bem nesse leão que estava a pensar, mas por algum lado havia de iniciar a conversa. O Papa Francisco entregou a alma ao Criador, elegeram um novo para tomar o seu lugar e, vá lá a gente saber porquê, ele escolheu o nome de Leão para ficar na história da igreja de S. Pedro de Roma, primeiro papa indigitado por Jesus Cristo, antes de se reunir ao Pai.

 O anterior papa a usar este nome já faleceu em 1903, há quase 123 anos, e alguma obra deve ter deixado por terminar para este ter escolhido esse nome. Tudo leva a crer que o tenha feito para nos deixar uma mensagem. Eu tomo posse para terminar aquilo que ele não teve tempo de fazer, penso eu ser a mensagem implícita na escolha do nome.

Leão XIII viveu e chefiou a Igreja Católica num período complicado, tanto da Europa como da própria Igreja Católica, e poderíamos dizer que as muitas empresas a que meteu ombros necessitariam de um retoque final para ficar tudo nos eixos e a contento de todos. Quem sabe, é esse o objectivo do papa americano que teve o azar de ser escolhido ao mesmo tempo do "maluco" do Trump que faz tudo para pôr o mundo de pernas para o ar.

Assim estava a Igreja e a Europa, na segunda metade do século XIX e coube a Leão XIII contactar os governantes para resolver as muitas pendências e promover a paz entre os povos. Podemos dizer que hoje, por motivo das guerras que nos afligem, estamos outra vez numa situação parecida e precisamos de alguém com os parafusos todos no sítio e bem apertadinhos para tentar resolver a situação.

O Papa inicia, hoje, uma longa visita a Espanha que é foco de instabilidade, tanto interna como externa. Há vários anos que não se consegue eleger um governo a sério e saltam de um provisório para outro sem saber como as coisas irão acabar. Sobre as guerras, sobre a Imigração ou a Nato já sabemos a posição do governo de Sanchez e talvez o papa o confesse e faça aceitar a penitência que se impõe.

Seis dias de estadia num só país é uma novidade e só me faz pensar que será um ponto de partida para dar um sinal à Europa que tem andado mal e deve arrepiar caminho para não cair no abismo. Podemos dizer que os culpados são Putin, Trump e Netanyahu, mas a Europa, liderada por Von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas, tem que assumir as suas responsabilidades e recolocar o comboio nos carris, de modo a continuarmos a viagem até ao destino.

Que seja bem sucedido nessa missão é aquilo que posso dizer a título de epílogo desta minha mensagem que espero recolha a vossa aprovação, em vez da tal musiquinha que tinha pensado dedicar-vos!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Não sei que pensar!

 O fórum económico de S. Petersburgo conta com cerca de 20 mil participantes de mais de 130 países, nesta edição de 2026, com forte presença de nações da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina (BRICS e CEI). Uma delegação de alto nível dos EUA também está presente.


O discurso de Putin deu-me que pensar! Não sei precisar porquê, mas ele pareceu-me interessado em enterrar o machado de guerra e dar paz ao seu povo que, tal como o da Ucrânia, tem vivido num inferno, desde o dia em que ele decidiu dar início à tal operação militar especial, em Fevereiro de 2022. Operação essa que deveria demorar apenas alguns dias e serviria para meter os políticos de Kiev na ordem, mas se revelou como um dos maiores fracassos da História da Rússia com mais de um milhão de baixas, entre mortos e feridos.

Sei que é difícil acreditar, mas soou-me como alguém que está mortinho por sair desta situação em que está metido. Se é por sentir que a Ucrânia o pode atingir, como nunca acreditou que isso pudesse acontecer, por pressão interna dos seus pares ou porque a economia está num beco sem saída e não tem grandes meios financeiros para continuar com a "operação"? Não sei responder a esta pergunta, mas quando ele, finalmente, já aceita conversar com o presidente da Ucrânia, eu acredito em tudo que me quiserem contar.

Não sei como ficarão as coisas no leste da Ucrânia, no famoso Donbass, onde os separatistas russos têm feito a vida negra ao governo de Kiev, desde 2014. Que há muita gente, ali, que prefere pertencer à Rússia parece não haver dúvidas, mas, paredes-meias, vivem outros tantos que se sentem ucranianos e assim querem continuar. Talvez seja possível fazer um referendo e traçar uma linha de demarcação que os separe. De qualquer modo, não é razão suficiente para transformar esta guerra numa coisa sem fim.

Os interesses económicos que estão por trás disso é que serão muito mais difíceis de resolver por meios pacíficos, tal como acontece na Crimeia pelo domínio total do Mar de Aral e predomínio sobre o Mar Negro, onde a Rússia gostaria de mandar, por lhe faltar outro mar navegável, durante o inverno, por oposição ao mar de Murmansk que está debaixo de gelo, durante metade do ano. Tal como a grande China que tem falta de mar aberto, também a Rússia sofre desse mal e como tal vai fazer de tudo para não sair da Crimeia.

Se o Zelensky lhe mandar um recado do género "retira as tuas tropas da Crimeia e depois falamos", não adivinho o que lhe responderia Putin, mas quero crer que não haveria conversa tão cedo. Talvez se o Trump meter a viola no saco e se retirar para o seu jardim (o que pode acontecer apenas em 2029) e aumentar a pressão da União Europeia, usando, com maior eficácia do que até agora, o boicote económico, o Putin seja obrigado a encolher-se. Mas até isso acontecer ainda vai morrer muita gente!

Os drones que derrotaram Putin

De volta a 1980!

  Grande salão de exposições, em Londres, decorria a feira têxtil e de confecções a que assisti algumas vezes. Esta uma manhã sossegada sem ...