quinta-feira, 16 de julho de 2026

Diálogo de surdos!

 O Quim e o Zé eram vizinhos, moravam na mesma rua, as portas das suas casas distavam menos de 50 metros uma da outra. Era raro eles falarem, mas sempre que se cruzavam na rua, levantavam a mão e faziam questão de dizer qualquer coisa um ao outro.

Um certo dia, ia o Quim a descer a rua com uma cana de pesca ao ombro e assobiando, alegremente, uma cançoneta que estava na moda. Ao seu encontro vinha o Zé que, descontraidamente, subia a rua sem pensar em mais nada a não ser em chegar a casa e descansar as pernas que já lhe doíam da longa caminhada matinal. Ao cruzar-se com o Quim levanta a mão, como era seu hábito, e pergunta:

- Olá Quim, vais à pesca?
- Não, vou à pesca.
- Ah, ao ver-te com a cana ao ombro pensei que ias à pesca.
- Não, vou mesmo à pesca!

O Tony e o Luís são dois políticos portugueses. O primeiro fez parte do XIII Constitucional presidido por António Guterres que abandonou por causa de um negócio imobiliário no Alentejo que cheirava um pouco a esturro (entenda-se pouco sério) do ponto de vista fiscal. O Luís é um estreante na política e faz parte do actual governo de Montenegro.

Também ele, o Luís, está embrulhado numa grande confusão por causa de um monte que tem no Baixo Alentejo, no concelho de Odemira, não abandonou ainda o governo, mas todo o mundo acha que já o devia ter feito para "dar uma" de honesto

Cruzaram-se, um dia destes, quando um saía e o outro entrava nas portas da SIC, onde foi fazer um comentário sobre o momento político, económico e financeiro que se vive em Portugal. E a conversa fluiu, naturalmente, sobre o assunto do dia:

- Olá Luís, jà disseste adeus ao tacho que o Montenegro te arranjou neste governo?
- Pois è, Tony, com o calor que tem feito não há quem pare no Alentejo!
- Ah, pensei que isso já estava arrumado, done and dusted, como dizem os ingleses.
- Nada disso, eu sinto-me bem em Lisboa!

O Donald, a quem, carinhosamente, há quem trate por Ron, vive na Casa Branca, em Washington, e pensa que governa os EUA, o país mais poderoso do mundo, segundo as suas próprias palavras, tanto do ponto de vista militar como económico, financeiro, comercial ou industrial.

Em Teerão vive o Moji que ninguém sabe se está vivo ou morto e que, segundo alguns palermas comentadores de "geopolítica", é o grande chefe daquela república teocrática islamita. Tal como o Ron, ou alguém em seu nome, também ele afirma que o seu país é o mais poderoso do Médio Oriente e ninguém lhe mete medo. Americanos ou judeus come disso ao pequeno almoço e nem os ossos cospe fora.

Esses dois cruzam-se, diariamente, nas redes sociais e posso garantir-vos que a sua conversa é ainda mais estúpida e descabida do que a dos vizinhos, sobre a pesca, ou dos dois políticos sobre o Alentejo, mas causa morte e destruição entre o povo que não tem culpa de eles serem "surdos como portas"!


P.S. - Entretanto, a Argentina prepara-se para ser, de novo, a campeã do mundo!

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