Alguém que não recordo quem, costumava usar esta expressão sempre que as coisas começavam a andar às avessas!
O significado dos adjectivos preto e negro podem parecer iguais, mas não são. Um negro africano pode ser chamado de preto, mas a minha sorte por ter nascido, em Portugal, no tempo de Salazar, foi negra e nunca a poderemos chamar de preta.
O preto africano, ou de qualquer outra origem, deve exigir que o tratem por preto e nunca negro. Negra é a fome, a miséria e a sorte daqueles que nasceram pobres, viveram pobres e pobres morreram, no fim de uma vida de sofrimento. E negro é o nosso PM, a quem o pai, avô ou bisavô acrescentaram o "monte" para o seu apelido não parecer tão sinistro!
Comecei a pensar nisto do real significado das palavras na nossa Língua Mãe, quando, esta manhã, ouvi o nosso Ministro da Administração Interna (sabem quem ele é?) referir-se aos "acampas" do Porto e Lisboa que têm feito a cabeça em água às nossas forças de segurança, nos últimos dias. Acampas! Que raio é isso? Quem introduziu essa palavra no léxico português?
Eu aprendi, quando estudei Português e Literatura Portuguesa que «O povo faz a Língua», querendo isso dizer que uma certa palavra que o povo começa a utilizar com frequência para a tornar-se, oficialmente, parte da nossa Língua. Mas a palavra "acampas" foi inventada há menos de duas semanas por um qualquer jornalista ou repórter de televisão referindo-se aos "sem nada que fazer" que foram montar a sua tenda na Praça D. João I, no centro do Porto, a dois passos da Câmara Municipal.
Imagino que foi por semelhança com a palavra "ocupas" ou "okupas" que se referia a um bando de gente pouca respeitadora das leis e do património alheio que começou a ocupar casas que se encontravam vazias e lhes faziam jeito por não terem casa própria. A coisa começou com casas devolutas (abandonadas), mas continuou, depois, com todas as casas em que os seus donos não residiam, habitualmente.
Aceitei a palavra okupas por lhe ter achado alguma piada e me parecer bastante apropriada à situação do momento. A casa está desocupada, tu chegas e ocupas e está o assunto resolvido! Já a palavra acampas não me caiu bem, e ouvida na boca de Luís Neves soou-me ainda pior. Não tens dinheiro para a renda, traz uma tenda, gritavam eles na Praça!
Mas não era nada disto que eu queria trazer para a minha publicação de hoje. Estava mais a pensar na situação de guerra que se vive na Europa e no Médio Oriente e que está a pôr a nossa vida, a minha, a vossa e a de milhões de outras pessoas, num estado lastimável. A falta de estabilidade, o aumento dos preços e um sem fim de outras influências negativas está a fazer-nos a vida negra!
O Médio Oriente está em polvorosa, ninguém se entende, faz lembrar a antiga Babilónia, quando as tribos (vou chamar-lhes assim para facilitar) que habitavam a Mesopotâmia e andavam de um lado para o outro à procura das melhores pastagens para os seus rebanhos ou para cultivar aquilo que lhes fazia falta para se alimentarem. Matar a sua fome e a dos seus animais era a sua maior, para não dizer única, prioridade e quem os estorvasse levava porrada pela certa.
Embora por ali continuem a haver muitos animais, ovelhas, cabras, burros e camelos, não é isso que os motiva, hoje, mas sim o petróleo que descobriram sob as areias do deserto e passou a encher os bolsos de quem, antes, nada tinha para além de uns úberes de leite e umas peles para cobrir o corpo e se proteger do frio. O chefe da tribo fica com tudo e distribui umas migalhas com o seu povo para o manter sossegado. Mas os filhos, netos e bisnetos desta gente evoluíram, foram para as universidades e já não aceitam viver à moda antiga.
Vai daí, anda tudo à porra e à massa e ninguém se entende. Eles são sunitas e xiitas, judeus ou palestinos, alinham com a Rússia, o Irão ou a China, mas têm que contar com os americanos e os sauditas que são grandes amigos e têm muitos interesses em comum. No fim de tudo é sempre o interesse material que está em causa, podes falar de tudo e mais alguma coisa, tipo políticas e filosofias de cada um, mas quando toca a dinheiro, cuidado que isso é terreno minado!
E depois aparecem, nessa mixórdia toda, crápulas como Putin ou Trump, que não respeitam ninguém e querem tudo para eles, e a situação passa de má a péssima, negra que me posso permitir a repetição. A intervenção de Trump no Irão já sabemos no que deu, petróleo caríssimo, tráfego marítimo num verdadeiro caos e todos a virarem os bolsos do avesso para deitar mão ao resto das suas economias para fazer face ao aumento do custo de vida.
Na Rússia e Ucrânia está ainda mais negra a situação, destruição por todo o lado, de vidas e bens, e não se consegue antever uma solução para o problema. Problema que não passa da cobiça de alguns russos bem respaldados por Putin e as suas forças armadas, pelas riquezas existentes no país do lado a que se acham com direito. E vemos o pobre do presidente Zelensky a ter que se vergar ao poderio de russos e americanos e aceitar a mediação de Wittkof, outro esbirro interesseiro, em demanda de um mais que duvidoso "Acordo de Paz".
Porca miséria !!!

“E negro é o nosso PM, a quem o pai, avô ou bisavô acrescentaram o "monte" para o seu apelido não parecer tão sinistro!”
ResponderEliminarEssa frase é a cereja em cima do bolo.
Um excelente texto.
A anónima sou eu‼️
EliminarOuvi a mesma palavra ACAMPAS mas foi da boca de brasileiras VIAJAREM NA MAIONESE liderando os acampamentos na via pública. O que me fez pensar CADÊ o meu Portugal de antigamente NOSSA! Exigir casas na terra dos outros é ridiculo. Vivi algum tempo na terra do Candomblé mas a única coisa que exigi foram... Baianas Orixás!!!
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