Não se escreve, sente-se!
E eu não sinto nada, por isso não sou, nunca poderia ser, poeta!
Tenho notado que a maioria dos meus amigos da Blogosfera gosta de Poesia. Alguns escrevem mesmo poemas que submetem à apreciação dos seus seguidores/leitores. Eu não me atrevo a fazer qualquer crítica, pois não me sinto nada preparado para isso.
Os poetas que conheço foram-me impostos, empurrados, pelos meus professores de Português que eram pagos para isso, com muita ou pouca vontade, com alguma ou quase nenhuma veia poética dentro deles próprios. O último deles, por acaso também escritor de terceira categoria (não revelo o seu nome por razões óbvias), era um bonacheirão que pesava mais de 12o Kilos e por isso recebeu a alcunha de «Chico Pipa»!
Além do Camões (que acabou por sair-me na rifa no exame do 5º Ano), o Chico Pipa insistia em autores como Júlio Dinis, Eça de Queirós ou Almeida Garrett e quando o assunto mudava da Prosa para a Poesia os eleitos eram Cesário Verde ou Florbela Espanca, Do Bocage, Torga ou António Aleixo nunca o ouvi falar. Imagino que fosse por razões políticas, pois a "Censura" andava de olho nessa gente.
Na minha juventude também eu escrevi muitos versos, mas era um exercício simples de respeitar a métrica e rima nos versos que fazia, ou seja, um exercício mecânico sem o mínimo valor poético. Na minha recruta, na Marinha de Guerra, fiquei conhecido por ter um livrinho de quadras que todos os camaradas já tinham lido e delas diziam maravilhas. Isso motivava-me a ir acrescentando sempre mais uma e o livrinho foi crescendo sempre. Um dia alguém o levou e nunca mais devolveu e assim acabou a minha vida de poeta,
Como disse, no princípio deste texto, a poesia é algo que tem que sair cá de dentro, é preciso sentir intensamente aquilo que se quer transmitir a quem vai ler o que escrevemos. E a rima pode ser branca que isso não tira valor ao poema. Também o estilo de escrita pode ser qualquer um, o Camões preferiu estrofes, a Florbela sonetos, o Aleixo quadras e há outros mais perfeccionistas que poéticos que optam por quintilhas, sextilhas ou décimas. Eles lá sabem porquê!


Se a Bic existisse / No tempo do Camões / Seria uma chatice / Com poesia aos montões.
ResponderEliminarEstá tudo dito, caro Tintinaine: "a poesia não se escreve, sente-se".
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