domingo, 25 de outubro de 2026

Seca atrás de seca!

 Ontem, levei uma seca com todos os canais de notícias focados nas acampadas de Lisboa e Porto. E mantiveram-se nessa onda durante toda a noite. Logo que liguei a TV, de manhã, levei mais uma injecção do mesmo!

Hoje, vou levar outra seca, pois estou curioso para saber o desfecho das eleições no Brasil. Com a diferença horária que nos separa, é quase certo que não haverá números definitivos até à hora em que o sono me ataca e domina. No entanto, vou seguir um caminho que já tem dado bons frutos noutras ocasiões, depois da hora do futebol, pelas 22.30 horas, deixo-me adormecer e, certo e sabido, a capacidade da minha bexiga fará o favor de me acordar 4 horas depois.

Aí é só ligar o televisor, de novo, e ouvir as últimas!

E agora, me desculpem de novo, vou lá para o fundo do quintal pôr um ponto final na minha arquitetura que ontem não fui capaz de terminar. Com a idade a nossa espinha dorsal perde a sua elasticidade e ao fim de uma dúzia de flexões recusa-se a continuar. Por isso, pareceu-me mais avisado deixar a obra a meio e evitar acabar o dia esticado na cama e a gemer com dores!

É assim a vida, aprendam comigo que eu não durarei para sempre!!!

sábado, 24 de outubro de 2026

Eu arquiteto!


Vou usar o dia de hoje para arquitetar uma mudança no meu galinheiro. Ele foi sempre um T1 para uma dúzia de galináceos e tenho que o transformar num T2 para apenas meia dúzia delas. Serão 3 de um lado e 3 do outro, umas velhas que já não põem nada de jeito e outras novas que ainda não começaram a justificar aquilo que comem.

Não gostamos de comer ovos de aviário e por isso tive sempre galinhas, cá em casa. Elas punham mais ovos do que nós consumíamos e a minha mulher, administradora das finanças domésticas, vendia os excedentes às suas amigas (inimigas e indiferentes). A cada 3 anos é preciso substituir aquelas máquinas de pôr ovos, pois tudo tem um limite. O meu plano actual é ter apenas 6 e para manter isso funcional tenho que comprar 3 em cada verão para irem substituindo as que batem a bota (por vezes com a minha ajuda).

As 3 novas de 2026 entraram ao serviço em 15 de setembro e espero que comecem a pôr a tempo de fazer as rabanadas para o Natal. Acho que fui enganado pela vendedora, pois ela garante que as galinhas começam a pôr ao fim de 30 dias, mas cada vez as compra mais pequenas e estas, ao fim de um mês e meio (quase) ainda não tem cu por onde sair o ovo!

A razão para eu ter que gastar o meu dia de hoje a arquitetar uma solução para as separar é que as velhas não aceitam as novas por nada deste mundo e dão-lhe cabo da cabeça às bicadas. Provisoriamente, já as separei, pendurando um pedaço de rede a meio do galinheiro que é bastante comprido, mas preciso de uma solução mais permanente e condições para lhe dar água e a sua ração diária de milho, e outras sementes, além da ração e algum material vegetal, sejam couves, erva ou coisa que o valha.

Pelas razões invocadas, vou deixar-vos com uma musiquinha romântica italiana, como é meu hábito, para me desculparem pelo abandono forçado.


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Quem conta um conto!

 Dava jeito ser amigo do Valter!

Ele andava sempre como um falcão à procura de presas em que pudesse ferrar o dente. Na maioria das vezes não passava do primeiro contacto e adeus que se faz tarde! Mas de facto vivia rodeado de mulheres e, algumas vezes, isso aproveitava aos amigos que o rodeavam.

Foi o meu caso, nos idos de 1965, quando embarcámos no Infante D. Henrique para regressar à Metrópole, depois de uma comissão de 30 meses, em Moçambique. Logo nos primeiros dias ele deitou os olhos a uma miúda magricela, de cabelos loiros e um dente, ligeiramente, desalinhado dos outros. Chamava-se Manuela (para mim Nelita), ainda não tinha feito 17 anos, vinha para a Metrópole continuar os estudos no liceu e candidatar-se à Universidade.

Ao fim de duas ou três investidas sem sucesso, o Valter veio ter comigo e disse-me que achava melhor eu aproximar-me da miúda, pois ela dera-lhe a entender que gostava era de mim. Imagino que ao Valter lhe deve ter custado bastante dizer aquilo, mas como acabara de levar um fora, apenas mais um na sua já longa lista, pouco lhe importaria o que se viesse a passar a seguir.

A Manuela viajava com a irmã de 11 anos e a mãe divorciada na companhia de uma senhora já velhota que era conterrânea do Valter e que eu também conhecia por ser avó de uma outra miúda por quem me interessara e, por essa razão, passei a ser visita lá de casa. Um chá com biscoitos nas tardes de domingo e coisas desse género. Ambos, eu e o Valter, a tratávamos por avó e, vá lá saber-se porquê, também a Manuela lhe dispensava esse tratamento, sabendo eu que não tinham qualquer laço de família.

Até passarmos a cidade do Cabo nada de especial aconteceu, mas depois, no longo percurso até Luanda, comecei a namoriscar com ela e assim continuámos até desembarcar, em Lisboa. Ela já me tinha confidenciado que ia morar para uma freguesia de Aveiro, e ficaria hospedada em casa de uma senhora amiga da sua família. Ninguém me disse, mas assumi que seriam relações do seu pai, pois a mãe era moçambica com raízes indianas e, tanto quanto me foi dado saber nunca tina vindo a Portugal. Na despedida prometemos escrever-nos e manter contacto, dentro dos possíveis, daí em diante.

Eu tinha que entrar num curso de aperfeiçoamento, daí a pouco tempo, mas o Comandante da Escola de Fuzileiros decidiu dar-nos uma semana de férias, antes de nos dedicarmos a isso. E eu aproveitei para ir a correr a Aveiro ver como estava a Manuela, a sua irmã e a mãe instaladas e onde. A velhota, em casa de quem ficaram hospedadas, era vizinha e amiga de uma família que morava na casa ao lado, Família que constava de pai, mãe e 3 filhas, entre os 12 e os 18 anos de idade e, nem preciso de referir isso, passaram a funcionar como uma verdadeira família para a Manuela e a sua irmã de 11 anos. Os jovens atraem-se uns aos outros e mantêm uma maior distância no que respeita às pessoas mais velhas, como era o caso da hospedeira desta família vinda de Lourenço Marques.

Namoro à distância não tem grande futuro e eu vi a Manuela apenas mais uma vez, antes de regressar a Moçambique. Mantivemos a nossa correspondência, enquanto estive cá, em Portugal, mas depois de regressar a Moçambique achei que era uma perda de tempo e a nossa história conjunta tinha muito poucas hipóteses de ter sucesso. Além do mais, eu sabia que a Manuela punha todas as suas energias no curso que queria frequentar na universidade, tudo o mais era supérfluo. Assim fechei aquele capítulo da minha história e segui viagem.

Mas houve algo que ficou daquela minha curta relação com a Manuela. A filha mais velha daquela família de quem se tornaram amigos tinha 18 anos e tinha um complexo, de inferioridade, suponho eu, que a fazia desejar os namoradas das suas amigas e fazia todos os possíveis por lhos roubar. Ao regressar de Moçambique, três anos depois, por mera cortesia fui visitar aquela gente toda, a velhota e as duas famílias que tão bem me tinham recebido, quando as visitei, no ano de 1965. Esqueci-me de mencionar que fiquei lá em casa de um dia para o outro e tudo fizeram para eu me sentir em casa.

A primeira coisa que fiz, ao chegar de Moçambique, foi comprar uma mota, uma velha BSA de 250 CM3 que fazia mais barulho do que andava. E foi nela que apareci em Aveiro para impressionar a mulherada. A Manuela já não estava lá, tinha preferido inscrever-se na faculdade, em Lisboa e foi a Gina, assim se chamava a "matulona" que tinha por vício roubar os namorados das amigas, que me fez companhia o tempo todo.

Ela era tão sem vergonha que despachou o namorado que estava com ela, quando lá cheguei, para irmos os dois dar um grande passeio de mota. Eu não conhecia nada por aqueles lados, mas ela guiou-me por entre os canais e canaviais do delta do rio Vouga que percorremos em velocidade louca fazendo-lhe esvoaçar os cabelos ao vento. Imaginem ela agarrada a mim com todas as forças, com medo de ficar pelo caminho, e os nossos corações a ribombar dentro do peito, cada um de nós perdido nos seus pensamentos e, sabe Deus com que desejos.

Regressei a casa, nesse dia, sem que nada de especial se tenha passado. Soube que ela tinha por hábito ler todas as cartas que eu escrevia à Manuela, contou-me ela,  e morria de inveja por não lhe serem dirigidas aquelas palavras que eu escrevinhava nas folhas de papel e lhe remetia pelo correio. Cerca de um ano mais tarde, já eu estava casado e tinha uma filha de poucos meses de idade, apareceu-me aqui em casa, abraçou-me. efusivamente, e pegando na minha filha ao colo, disse:

- Minha bebé linda, podias ser minha filha!!!

Nos anos seguintes, aconteceram mais uns episódios que levaram a minha mulher aos arames, mas essa parte, manda o decoro e a boa educação, guardo-a só para mim!

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Azar o meu!

 A Bolsa de Paris (oficialmente conhecida como Euronext Paris) opera hoje em queda, com o seu principal índice de referência, o CAC 40, a transacionar nos 7.829,44 pontos (uma desvalorização de -1,16%).

O mercado francês enfrenta um período de volatilidade devido ao estresse na renda fixa e incertezas fiscais no país, embora os balanços corporativos de grandes marcas de luxo (como a EssilorLuxottica) tenham oferecido algum suporte recente aos negócios. 
CAC 40 (PX1)
7829,44
A 22/10, 09:00 WEST



quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A coisa está preta!

 Alguém que não recordo quem, costumava usar esta expressão sempre que as coisas começavam a andar às avessas!

O significado dos adjectivos preto e negro podem parecer iguais, mas não são. Um negro africano pode ser chamado de preto, mas a minha sorte por ter nascido, em Portugal, no tempo de Salazar, foi negra e nunca a poderemos chamar de preta.

O preto africano, ou de qualquer outra origem, deve exigir que o tratem por preto e nunca negro. Negra é a fome, a miséria e a sorte daqueles que nasceram pobres, viveram pobres e pobres morreram, no fim de uma vida de sofrimento. E negro é o nosso PM, a quem o pai, avô ou bisavô acrescentaram o "monte" para o seu apelido não parecer tão sinistro!

Comecei a pensar nisto do real significado das palavras na nossa Língua Mãe, quando, esta manhã, ouvi o nosso Ministro da Administração Interna (sabem quem ele é?) referir-se aos "acampas" do Porto e Lisboa que têm feito a cabeça em água às nossas forças de segurança, nos últimos dias. Acampas! Que raio é isso? Quem introduziu essa palavra no léxico português?

Eu aprendi, quando estudei Português e Literatura Portuguesa que «O povo faz a Língua», querendo isso dizer que uma certa palavra que o povo começa a utilizar com frequência para a tornar-se, oficialmente, parte da nossa Língua. Mas a palavra "acampas" foi inventada há menos de duas semanas por um qualquer jornalista ou repórter de televisão referindo-se aos "sem nada que fazer" que foram montar a sua tenda na Praça D. João I, no centro do Porto, a dois passos da Câmara Municipal.

Imagino que foi por semelhança com a palavra "ocupas" ou "okupas" que se referia a um bando de gente pouca respeitadora das leis e do património alheio que começou a ocupar casas que se encontravam vazias e lhes faziam jeito por não terem casa própria. A coisa começou com casas devolutas (abandonadas), mas continuou, depois, com todas as casas em que os seus donos não residiam, habitualmente.

Aceitei a palavra okupas por lhe ter achado alguma piada e me parecer bastante apropriada à situação do momento. A casa está desocupada, tu chegas e ocupas e está o assunto resolvido! Já a palavra acampas não me caiu bem, e ouvida na boca de Luís Neves soou-me ainda pior. Não tens dinheiro para a renda, traz uma tenda, gritavam eles na Praça!

Mas não era nada disto que eu queria trazer para a minha publicação de hoje. Estava mais a pensar na situação de guerra que se vive na Europa e no Médio Oriente e que está a pôr a nossa vida, a minha, a vossa e a de milhões de outras pessoas, num estado lastimável. A falta de estabilidade, o aumento dos preços e um sem fim de outras influências negativas está a fazer-nos a vida negra!

O Médio Oriente está em polvorosa, ninguém se entende, faz lembrar a antiga Babilónia, quando as tribos (vou chamar-lhes assim para facilitar) que habitavam a Mesopotâmia e andavam de um lado para o outro à procura das melhores pastagens para os seus rebanhos ou para cultivar aquilo que lhes fazia falta para se alimentarem. Matar a sua fome e a dos seus animais era a sua maior, para não dizer única, prioridade e quem os estorvasse levava porrada pela certa.

Embora por ali continuem a haver muitos animais, ovelhas, cabras, burros e camelos, não é isso que os motiva, hoje, mas sim o petróleo que descobriram sob as areias do deserto e passou a encher os bolsos de quem, antes, nada tinha para além de uns úberes de leite e umas peles para cobrir o corpo e se proteger do frio. O chefe da tribo fica com tudo e distribui umas migalhas com o seu povo para o manter sossegado. Mas os filhos, netos e bisnetos desta gente evoluíram, foram para as universidades e já não aceitam viver à moda antiga. 

Vai daí, anda tudo à porra e à massa e ninguém se entende. Eles são sunitas e xiitas, judeus ou palestinos, alinham com a Rússia, o Irão ou a China, mas têm que contar com os americanos e os sauditas que são grandes amigos e têm muitos interesses em comum. No fim de tudo é sempre o interesse material que está em causa, podes falar de tudo e mais alguma coisa, tipo políticas e filosofias de cada um, mas quando toca a dinheiro, cuidado que isso é terreno minado!

E depois aparecem, nessa mixórdia toda, crápulas como Putin ou Trump, que não respeitam ninguém e querem tudo para eles, e a situação passa de má a péssima, negra que me posso permitir a repetição. A intervenção de Trump no Irão já sabemos no que deu, petróleo caríssimo, tráfego marítimo num verdadeiro caos e todos a virarem os bolsos do avesso para deitar mão ao resto das suas economias para fazer face ao aumento do custo de vida.

Na Rússia e Ucrânia está ainda mais negra a situação, destruição por todo o lado, de vidas e bens, e não se consegue antever uma solução para o problema. Problema que não passa da cobiça de alguns russos bem respaldados por Putin e as suas forças armadas, pelas riquezas existentes no país do lado a que se acham com direito. E vemos o pobre do presidente Zelensky a ter que se vergar ao poderio de russos e americanos e aceitar a mediação de Wittkof, outro esbirro interesseiro, em demanda de um mais que duvidoso "Acordo de Paz".

Porca miséria !!!

A torre de Babilónia

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Alarme!

 Petróleo a 110$, apertem os cintos que vem aí borrasca!

As Bolsas europeias a pique e eu sem saber o que fazer! Só se perde quando se vende, é o que sempre ouvi dizer e por isso eu não vendo!

Isto é como um comboio sem travões que vai descendo uma montanha. À velocidade de 60 kms/hora o maquinista avisa:

- Estou sem travões, salve-se quem puder!

Mas, com medo de partir uma perna ou um braço ou, pior ainda, partir o pescoço, ninguém salta. Aos 100 kms/hora ouve-se, de novo, a voz do maquinista:

- Não vi ninguém saltar do comboio! O que pensam fazer agora que já vamos a 100 e aproximam-se curvas perigosas que, é mais que certo, farão descarrilar o comboio?

No comboio ninguém pestaneja, todos se agarram às costas do banco da frente e esperam um milagre. Na primeira curva o comboio levanta algumas rodas no ar, mas mantêm-se nos trilhos. A curva seguinte é a pior de todas, se a ultrapassarem sem descarrilar há uma hipótese de chegarem à planície vivos!

No Facebook tenho visto algumas imagens de Trump vestido com um uniforme russo e um novo significado para a sigla MAGA, Moscow Agent Governing America!

E até parece verdade, pois quando o vejo juntar-se a Putin e Xi Jinping para discutir o fim da guerra na Ucrânia não posso pensar outra coisa. Até parece uma reunião dos vencedores para discutir a divisão do espólio de guerra! Mas qual guerra? Eu pensei que a guerra era com a Ucrânia, mas ainda não há vencedor nem vencido nessa guerra! Aliás, Putin está mais longe que nunca de sair vencedor dessa encrenca em que se meteu, vai para 5 anos, e já custou a vida a mais de um milhão e meio de compatriotas seus!

O tal agente moscovita que aparece na foto acima, está como o tolo no meio da ponte, não sabe para que lado correr, ou se o melhor será saltar para o rio e lutar com a correnteza. Ultimamente, até falou em usar a MOAB, a tal super bomba que não é atómica, mas promete fazer tantos estragos como essa, para resolver o problema do Irão, abrir o Estreito de Ormuz e fazer recuar o petróleo para os 60$ do passado!

O Zelensky, o presidente quase esquecido do país que sofre os efeitos da guerra movida por Putin (que não a Rússia) continua a bombardear os depósitos de gasóleo, na zona portuária de S. Petersburgo, antes que os oligarcas russos o façam seguir viagem para o continente americano para trocar por dólares que servirão para alimentar a guerra, indefinidamente. Rasgo de génio, diria eu, fabricar os drones e guiá-los até tão longe, fugindo às defesas da "poderosa" Rússia!

Long Live Volodomir Zelensky! Slava Ukraini!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Eu e a Gina!

A NRP Pêro Escobar (F335) foi uma célebre fragata da Marinha Portuguesa que permaneceu em serviço entre 1957 e 1975. Desenhada com base em projetos norte-americanos de destroyer escorts (escoltas contratorpedeiros), foi construída em Itália nos estaleiros de Castellammare di Stabia e cedida a Portugal no âmbito da NATO.


Quando desembarquei, pela primeira vez, ela não estava lá, andava a navegar em serviço de rotina, talvez a caminho, ou de regresso, de Angola que estava na ordem do dia, por causa da guerra colonial que lá rebentara, há cerca de um ano. Não estava na Base Naval do Alfeite, mas toda a gente falava nela, por ser a nova coqueluche da Marinha de Guerra Portuguesa.

Encostados ao cais viam-se alguns navios, velhos draga-minas e os contra-torpedeiros Douro e Dão a aguardar desmantelamento. Lá estava também a velha Sagres, verdadeiro ninho de ratos, onde passei 15 dias da minha vida para algumas aulas de Marinharia (a arte de ser marinheiro) e aprender a interpretar as ordens do contramestre transmitidas pelo seu apito metálico. Da Gina nem rastos, mas era dela que toda a marujada falava. Cada vez que pisávamos o cais da Base, o assunto era os navios que tínhamos e em que talvez viéssemos a embarcar, num futuro não muito distante.

Devia ter começado por dizer que a fragata Pero Escobar, ao entrar ao serviço da nossa Marinha, escolheu para sua madrinha a actriz italiana Gina Lollobrígida que assim ficou conhecida por «GINA» relegando o nome Pero Escobar para os documentos oficiais apenas. Muitos marujos da sua tripulação tinham um poster dessa actriz colado na parte interior da porta do seu cacifo. De tal modo que depois de acordar e antes de ir dormir lhe pudessem deitar um olhar apaixonado e sonhar belos sonhos.

A par da Sofia Loren ela era do melhor que o cinema italiano já teve. Pão amor e fantasia foi o primeiro filme que a projectou para o estrelato. Ela era um portento de mulher, quando eu ainda mal tinha abandonado as fraldas e uma quarentona de se lhe tirar o chapéu, quando eu atingi a maioridade. No tempo em que frequentava os cinemas, quase diariamente, vi todos os filmes dela que apareceram em cartaz, mas, sinceramente, não me lembro do nome de nenhum deles.

Não sei se os meus seguidores estarão mais interessados na Gina navio, ou na Gina mulher, mas podem tirar o cavalinho da chuva que a conversa, por hoje, terminou. Foi uma curta viagem ao meu passado e ao dia 8 de Março de 1962, dia em que entrei na Doca da Marinha, pela primeira vez, para apanhar a vedeta para o Alfeite, onde me fui apresentar para a inspecção, física e de habilitações literárias (pomposo nome) que, a correr bem, me abriria as portas da Briosa!

PS - A Gina era o navio mais rápido da nossa marinha, uns famosos 25 nós, quando o máximo conseguido por qualquer outro se ficava pelos 20, ou mesmo 18, como média. Dizia-se que tinha rebentado a máquina de tanto "acelerar" atrás do Santa Maria, quando o Galvão o levou para o Brasil, mas acho que isso era apenas conversa de quem não sabia mais do que falar!

O ouro dos romanos!

 Nós, portugueses, devemos muito aos romanos! Refiro-me, claro está, aos romanos do tempo de César, aqueles que saíram de Roma, protegidos p...