sábado, 10 de outubro de 2026

Outra vez lesionado!

 Com a mão esquerda inchada pelas mordeduras do NERO, é-me difícil teclar e só com uma mão não dá grande jeito. Até porque o teclado QWERTY tem do lado esquerdo a maior parte das letras mais repetidas na Língua Portuguesa. Assim, vou deixar para outra altura a segunda parte da minha narrativa sobre a "minha" guerra, em Moçambique.

No plano internacional, deixando para lá os prémios Nobel e os desastres naturais, como o sismo que abalou o Panamá, no dia de ontem, continuo a abrir a boca de espanto com as afirmações de Donald Trump que agradece a Putin a fartura de petróleo e gasóleo que "inunda" os Estados Unidos. E afirma ele que o petróleo já está a descer! Só se for na terra dele, pois aqui continua alto p'ra cacete!

A invasão da Ucrânia pela vizinha Rússia que caminha para o 5º aniversário parece não afligir Putin que tem visto os seus soldados mortos, presos, ou ridicularizados por uma força muito inferior à sua. Ele insiste no mesmo assunto, quer a Crimeia, Luahnsk, Donetzk, Zaporizia e Kerson e já incluiu esses territórios na Constituição do seu país, como se lhe tivessem sempre pertencido. E quer depor o actual presidente da Ucrânia, a todo o risco.

Por seu lado, Zelensky faz das tripas coração, pede a todo o mundo que o ajudem e põe a cabeça em água aos generais russos. Conseguiu pôr a funcionar uma "economia de guerra" que já dá frutos e ajuda na despesa do país. A tecnologia dos drones, em que a Ucrânia dá cartas, abriu-lhe as portas da exportação para todos aqueles que até agora pouco mais conheciam que os Estados Unidos como fornecedor. E a preços irrisórios comparados com os do "amigo" Trump.

O próximo objectivo, muito perto de ser conseguido, é substituir os mísseis Patriot (interceptores) por uma produção ucraniana que custará menos de um décimo do preço americano. É só mais uma coisa para fazer zangar o Trump e fazer do Zelensky o seu maior inimigo. E sendo ele o maior inimigo do seu grande amigo Putin, a coisa eleva-se ao expoente máximo.

Maldito Zelensky que me dás cabo de todos os negócios! Tantos milhões perdidos por tua causa!

Talvez o Mike Tyson consiga meter-lhe algum juízo na cabeça!

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Grande animal!

 É a quinta vez que me morde!

Se tivesse, em casa, uma arma de fogo, ontem, ter-lhe-ia dado um tiro na cabeça!

O meu cão é um animal de respeito. Pelo menos no tamanho das pernas e no peso, cerca de 40 kgs, no resto não me parece grande coisa. Como se costuma dizer, é cão que não conhece o dono!

Traçado de «Pastor de Beauce» deve ter uma inclinação especial para ferrar o dente em que o chateia! Sendo originário de uma zona fria, norte de França, vê-se à rasca nos meses de verão, aqui em Portugal. Estica-se ao comprido em cima de qualquer zona de pedra ou superfície cerâmica para combater o calor.

É meiguinho, gosta de festas nas orelhas e nunca o ouvi rosnar a ninguém, mas tem um problema. Atira-se contra as paredes do meu quintal e ladra aos cães da minha vizinha - agora só tem dois. mas já teve seis - e ao fazê-lo aleija-se nas mãos. Depois passa o dia a lambê-las e não deixa que lhe toquem nelas.

Ontem, muito por acaso e sem qualquer intenção, fiz que lhe ia agarrar na pata e ele saltou em cima de mim como uma fera. Vinha directo ao meu pescoço e se não lhe tenho enfiado a mão na boca, talvez lá tivesse chegado. Resultado, fiquei com a mão esquerda cheia de buracos, onde me ferrou os dentes. Por sorte não rasgou nada, foram só buracos que desinfectei o melhor que pude, logo que parou a hemorragia.

Mas a coisa dói-me, no corpo e na alma! Ando, há 10 anos, a alimentar esta fera e a dispensar-lhe miminhos e ele trata-me desta maneira? Merecia bem um balázio no meio daquelas orelhas que anda sempre a abanar, como fazem os búfalos para espantar as moscas! Não deve durar mais de dois anos, depois deste só quero um se for anão! 

Aí está o bicho!

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A minha «Guerra Colonial»!

 Nos meus blogs, desde 2008, tenho escrito e descrito algumas das operações em que estive envolvido na Guerra do Ultramar, ou, mais correctamente, Guerra Colonial, a que os moçambicanos preferem chamar Guerra de Libertação e têm muita razão. Se havia colonos e se queriam libertar deles, está muito bem escolhido esse nome!

Ao voltar ao assunto, tenho que tomar o máximo cuidado para não me contradizer e poder  ter que enfrentar algum leitor mais atento que me chame aldrabão. De qualquer modo, a minha guerra não foi muito complicada e conta-se em meia dúzia de linhas.

Como avancei para o Niassa ao som do primeiro tiro, encontrei uma situação que não era ainda o que se pode dizer uma guerra. Como exemplo disso posso citar um exemplo que ilustra bem o que digo. Todos os sábados, depois do jantar, o comandante da Base rumava a Vila Cabral para uma sessão de cinema, Usava um jipe Toyota de caixa fechada e seis lugares que fazia questão de levar sempre ocupados. Nunca descobri se o fazia por medo de ir sozinho e precisar de protecção, ou se era uma espécie de prémio para quem escolhia para o acompanhar.

O dito terrorismo não tinha ainda qualquer expressão e nós, os fuzileiros, limitávamo-nos a andar de povoação em povoação para perceber que tipo de aceitação tinha a "guerra" entre a população indígena. A PIDE afadigava-se a tentar descobrir indícios de insurreição e quando desconfiava de qualquer coisinha mandava-nos lá investigar. Numa dessas missões o meu camarada de esquadra (grupo de 4 fuzos que funcionam em conjunto) "fuzilou um homem que não obedeceu à ordem de paragem e desatou a fugir, em direcção à sua povoação, onde chegou com as tripas de fora e morreu horas depois.

Um outro dia a Pide requisitou uma secção de fuzileiros para ir controlar uma povoação, onde tinham a certeza que iria ser descarregada uma grande quantidade de armamento vindo da Tanzânia (nesse tempo ainda conhecido por Tanganika). E lá fui eu com os meus 8 camaradas, a que se juntou o oficial que, nessa altura, comandava o pelotão de fuzileiros da CF2, destacado para Metangula, e também o comandante da Base, o famoso Tenente Zilhão, a fazer companhia ao agente da dita polícia política destacado para a missão e a um Sipaio mobilizado para nos servir de guia e intérprete.

Chegamos lá a meio do dia e caímos numa emboscada ao desembarcar, onde poderíamos ter morrido todos, se os "Turras" estivessem mais bem treinados no uso da metralhadora. Por sorte ninguém ficou ferido, mas ao reembarcar o nosso guia, um sipaio do Posto Administrativo de Metangula, foi atingido por duas balas que lhe provocaram a morte instantânea. Uma delas perfurou-lhe um pulmão e a outra levantou-lhe a tampa dos miolos. Eu iria jurar que os turras se focaram apenas nele por nos ter guiado até ali.

A Castor no Plano Inclinado para manutenção

A pequena lancha de fiscalização "Castor" ouvia-se ao longe e os nossos inimigos tiveram tempo suficiente para se preparar, montar as metralhadoras em dois locais distintos, de modo a conseguir um fogo cruzado mais eficaz e devem ter-se rido à brava, quando nos viram desembarcar, quatro homens de cada vez, num pequeníssimo bote de alumínio que a tripulação da lancha usava para vir para terra, uma vez que a lancha ficada fundeada e amarrada a um boia, uma vez que ainda não existia a "Ponte-Cais".

No reembarque e já debaixo de fogo não foi utilizado esse bote, o que seria um autêntico suicídio, e cada um nadou como pode até se pendurar num cabo pendurado no bojo da lancha que não era muito alto. Com a G3 a tiracolo e o camuflado encharcado, além das botas de cano alto calçadas, posso-vos garantir que não era fácil trepar para bordo. O primeiro grupo embarcou e eu fiquei na praia com o segundo a fazer fogo de cobertura para tentar manter o inimigo de cabeça baixa.

É claro que a metralhadora pesada, Oerlikon, na proa da lancha, sempre a martelar os sítios de onde vinham os tiros, fazia mais estragos que as nossas quatro G3 com as poucas munições que leváramos connosco - apenas dois carregadores - e logo que os meus camaradas tomaram a seu cargo fazer o fogo de cobertura, a partir do convés da lancha, metemo-nos nós na água e nadámos até aos cabos pendurados da lancha. Mas nos agarramos a eles, o comandante mandou fazer marcha â ré e arrastou-nos para o meio do lago e fora do alcance do fogo das metralhadoras dos turras.

O Pide estava apavorado e tinha gasto as 32 munições da FBP que levava com ele às primeiras rajadas. Desarmado, com o guia já morto e balas a zumbir à volta das orelhas, imagino que tenha pensado não sair dali vivo. Mas saiu e lá fomos até ao Cobué para descarregar o morto e comer o almoço, como estava planeado. De tarde, os oficiais reuniram-se com o patrão da lancha e estiveram a equacionar o regresso àquela praia para ir em perseguição dos turras e, talvez ainda, ser capaz de confirmar e/ou apreender o tal armamento vindo do Tanganika.

A falta de munições, a falta de vontade de partir à aventura que poderia prolongar-se pela noite dentro, com o Pide desarmado (nós não levávamos munições do calibre da FBP) e o Sipaio morto, a decisão acabou por ditar o regresso a Metangula para reportar o que se tinha passado e agurdar ordens do Comando Naval, na capital.

Três semanas depois desta ocorrência, regressei a Lourenço Marques e depois a Lisboa, pensando ter deixado para trás essa guerra que nada significava para mim. Mal sabia eu que seis meses depois, lá estaria de novo para novas experiências e aventuras que pensava reportar aqui, mas deixarei para uma próxima crónica, pois esta já se fez longa demais!

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A festa da cerveja!

 Todos os anos costumo fazer a apologia da festa da cerveja, em Munique, mas este ano esqueci o assunto e a data já passou. A razão de continuar a fazer isso 55 anos anos depois de ter saído da Alemanha é que mantenho uma ligação especial com esse país, gosto muito de cerveja e de ver as moçoilas carregarem uma quantidade de canecas que devem pesar um balúrdio e com a maior facilidade. Lembrei-me do assunto, agora mesmo, e em vez de procurar inspiração para outras escritas, lá vai disto!






Não vale a pena eu escrever "sem palavras", ao olhar para as fotografias consegue entender-se o tamanho da festa!

Há, no Brasil, uma réplica desta festa. No sul do Brasil, estado de Santa Catarina, a cidade de Blumenau é uma colónia de emigrantes alemães e seus descendentes que mantêm a tradição, a cada ano que passa, de replicar a festa que se faz em Munique. E os brasileiros que também gostam mais de cerveja geladinha que de vinho nem sempre à temperatura ideal, agradecem o gesto e juntam-se à festa que é uma espécie de Carnaval de Primavera! Ora vejam as fotos!





 Valeu? Hoje foi assim, amanhã o assunto será outro!

terça-feira, 6 de outubro de 2026

O 7 de Outubro!

 


Ontem, ouvi o Benjamin Netanyahu fazer a evocação do 7 de Outubro, o ataque terrorista do Hamas que matou uma quantidade de judeus e levou à guerra que ainda hoje dura e provocou a destruição completa da Faixa de Gaza, um enclave dentro de Israel em que enclausuraram uns milhões de palestinos para não chatearem o resto do pessoal (entenda-se, judeu). Ele não teve paciência para esperar pelo dia 7 e eu vou fazer como ele, evocar o 7 de Outubro de 1950 que deveria fazer amanhã.

Nos tempos da outra senhora, respeitar a tradição era a palavra de ordem, E a tradição dizia que o Ano Lectivo começava, impreterivelmente, a 7 de Outubro de cada ano. Sempre que esse dia calhasse a um sábado ou domingo, seria a segunda feira o dia de abrir as portas da escola às crianças de cada freguesia. Ontem, como hoje, já o excesso de candidatos punha os professores em alvoroço e a freguesia onde nasci não era excepção.

Tendo nascido no início de Março, eu deveria ter entrado na escola aos seis anos e meio, mas a D. Alexandrina - devia ser Menina, pois ainda era solteira, mas a idade levava toda a gente a tratá-la por Dona - recusou-se a deixar-me entrar com a desculpa que já tinha alunos em (grande) excesso. Talvez até fosse verdade, mas talvez houvesse por lá algum filho de gente importante a furar o esquema e roubar-me o lugar.

A minha mãe, e com razão ficou muito chateada por ver o meu futuro atrasar-se um ano e recorreu às suas influências para me resolver o problema. Na freguesia vizinha havia uma professora com quem se dava bem e me aceitaria como aluno da 1ª Classe na sua escola, Lá combinaram como a coisa se faria e uns dias mais tarde, lá apareci à porta da professora que morava no caminho que eu faria para chegar à escola, e lá seguimos os dois, lado a lado, até onde o resto da criançada esperava que lhe abrissem a porta.

Nesse tempo não havia contínuos nem empregados, como há agora, para ajudar a professora, ele abria e fechava a escola e levava a chave com ele para casa. Chegados lá dentro, colocou-me na primeira carteira da fila da direita, com o Quadro Preto mesmo em frente do meu nariz. A escola era pequenina e tinha quatro filas de carteiras com seis carteiras cada uma. Carteiras de dois lugares, com um tinteiro de porcelana embutido ao meio para serviço dos dois alunos, por conseguinte, capacidade total 48 alunos das quatro classes.

Ao meu lado sentava-se o Licínio, segundo filho de um lavrador que morava paredes meias com a professora. Acredito que a professora tinha uma ligação especial com a família dele e me colocou na carteira dele para evitar algum problema por eu ser um estranho na freguesia. Nem sempre correu bem, mas podia ter sido muito pior. Naquela situação eu poderia ter sido escolhido como bode expiatório (hoje diria vítima de bullying) de todo o tipo de brincadeiras dos colegas, mas assim não aconteceu.

O único problema que me vem à memória foi a nossa desavença por causa do tal tinteiro de porcelana que servia para molharmos a pena e escrever as primeiras letras e números no caderninho de caligrafia, única ferramenta de aprendizagem além da ardósia (lousa) em que desenhávamos as letras, conforme as íamos aprendendo. No primeiro trimestre pouco mais além íamos do que o a,e,i,o,u e os 10 números e a falta de jeito fazia-nos carregar de tal maneira no lápis de pedra que marcávamos a ardósia para todo o sempre.

Mas, voltando ao tinteiro, deveria ser a professora a enchê-lo e não nós, mas dada a confiança com o Licínio ela mandou-o buscar o garrafão da tinta (permanente) e comigo a segurar no tinteiro ele foi enchendo até ... deitar por fora. E depois veio o desaguisado, de quem foi a culpa, não fui eu, foste tu e acabámos à lambada um ao outro com tinta derramada por toda a carteira e um sarilho para a D, Josefina (assim se chamava a senhora, casado e mãe de filhos) que além de limpara a carteira ainda teve que distribuir uma dúzia de bolos para cada um de nós.

O ano de 1950 foi há uma eternidade e parece impossível como tenho estas cenas gravadas na memória, como se tivessem acontecido ontem. Muita gente com quem me cruzo, hoje, física ou virtualmente, ainda não era nascida há 76 anos anos, ou seja, sinto-me já uma "antiguidade clássica". A pior parte de toda esta história foi que, no Outubro seguinte, a D. Alexandrina não aceitou matricular-me na 2ª Classe e tive que perder um ano inteirinho a repetir tudo o que tinha feito no ano anterior. Durante esse ano, eu fui o sabichão da turma, já sabia tudo aquilo que eles batalhavam para aprender!

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Tenham medo!

 Das bruxas? Não!

Do diabo? Também não, isso não existe, foi invenção dos padres para segurar e sossegar as ovelhas do seu rebanho!

Dos ladrões? Talvez, em especial se forem brasileiros ligados ao PCC que são piores que o diabo!

Mas o que me faz trazer aqui este assunto, hoje, são as figueiras. O meu quintal é pequeno, mas já tive mais de meia dúzia de figueiras em plena produção. Estupidez minha, pois cá em casa ninguém gosta de figos e tinha que ir à procura de alguém que os viesse apanhar (e levar de borla) com pena de ver perder aquela riqueza de fruto que adoro e a minha Diabetes não aconselha a consumir.

A minha cara metade não gosta de figos nem de figueiras. Suponho que o culpado desse mal foi o Judas Iscariotes por se ter resolvido a pendurar pelo pescoço, até a sua alma abandonar o corpo amaldiçoado por ter atraiçoado o Mestre. Acresce que ela também acredita no diabo e acha que foi ele a escolher o local e a árvore onde o Judas se enforcou. E imagina-o sentado num ramo da dita, bem lá no alto, preparado para apanhar a alma do Judas e levá-la para o inferno, mal ele esticasse o pernil.

Nestas circunstâncias ela não descansou enquanto não me fez cortar as figueiras todas que, para além do mais, deixavam cair os figos mais maduros sobre os passeios por onde ela passava e lhe sujavam a sola dos sapatos. Ok, disse-lhe eu, vou cortar todas menos esta! E apontei para uma grande que dá uns figos brancos (tipo moscatel) de que eu gosto muito. Até hoje, essa figueira tem dado montes de figos que eu tenho comido sem ligar muito à tal de Diabetes que só veio para me infernizar a vida!

Mas a sorte dessa figueira mudou este ano. Eu esperava toneladas de figos que fariam a minha delícia e de mais alguém a quem os teria que oferecer, depois de subir à figueira, com risco de me estatelar no chão, e os colher e acondiconar numa cestinha para fazer a oferta parecer mais valiosa. Mas o verão foi avançando e os figos nada de amadurecer, coisas do clima, penso eu!

Nos fins de Agosto, lá consegui encher uma pequena bacia de plástico, com um gancho adaptado por mim para servir de cesta de vindima, que deram para matar os desejos e ainda sobrou para fazer uma tarte de figo que estava de estalar os dedos e lamber os beiços!

Depois disso, vieram uns pingos de chuva, os figos mais adiantados abriram-se todos, apodrecendo de seguida, e mais nenhum, a partir desse momento, amadureceu normalmente. Antes de atingirem o ponto de maturação ideal, começavam a apodrecer por dentro. E a minha mulher voltou à carga: - eu bem te disse, devias ter cortado essa figueira também que só serve para fazer porcaria e meter-me o medo na alma. Depois de anoitecer, nem consigo abrir a porta do quintal, pois vejo o diabo a rir-se, encarrapitado no ramo mais alto.

Convenceu-me, peqguei no meu serrote de poda e atirei-me à figueira com a força do ódio que lhe ganhei por não me ter dado os figos que prometera e eu esperava com ânsia. Ramo após ramo, ela foi caindo em fanicos, lã em baixo, junto do próprio pé. Quando desci fiquei envolvido em ramos e folhas de figueira até à cintura. Depois olhei para cima e vi o esqueleto, como braços erguidos ao céu pedindo perdão pelo acto do Judas que levou Jesus Cristo até ao Monte das Oliveiras, onde o pregaram na cruz.

Ontem, foi o dia para montar um esquema, com a ajuda da minha filha, para conseguir cortar esses ramos mais grossos sem que nenhum deles me caísse em cima da cabeça e provocasse algum mal maior. Às tantas, um deles ficou encravado no meio de outros e tive que lhe deitar as unhas e usar todas as minhas poucas forças para o fazer descer até ao chão, em segurança. Como estava muito calor e eu tinha os braços nus, fiquei com a pele encostada à casca da figueira o que me provocou uma alergia desregrada.

Ao fim do dia, mesmo depois de lavar os braços duas vezes com sabão e bem esfregados, a sensação era a mesma que conheci, em Moçambique, quando apanhado pelo «feijão macaco». Coçar, coçar até arrancar a pele! Voltei a lavar os braços, até ao ombro, depois passei-os com álcool e de seguida com Fenistil para evitar a comiçhão. Mesmo assim, mal dormi esta noite, até em sonhos me coçava sem parar e levantei-me a meio da noite para mais uma dose de Fenistil!

Por isso, eu vos aviso, tenham medo das figueiras que são piores que o diabo ou as bruxas que dizem andar por aí a assustar meio mundo !!!


Mas, gosto tanto de figos que, no mês que vem,
vou à procura de uma destas!

domingo, 4 de outubro de 2026

Trumpalhices e dólares na sua conta!

As trafulhices de Trump com a ajuda de Witkoff e do seu genro Jared Kushner! Pedi à IA para me dar uma ajuda e evitar que vos pudesse contar...