sábado, 22 de agosto de 2026

Dusseldorf!

 

No tempo em que que a minha (?) empresa nadava em dinheiro, última década do século XX, abrimos um escritório nesta linda cidade alemã. Na verdade era um apartamento enorme, em que o responsável pelo mercado da Alemanha e Benelux, assentou arraiais para estar mais à vontade e poupar uns cobres em contas de hotel.

Alugar um apartamento de 5 divisões num local assim privilegiado não deve ter ficado barato, mas nessa altura em que o mundo dos têxteis estava em retracção acelerada não se olhava a gastos para tentar segurar os clientes. O meu amigo Tony, filho de emigrantes na Bélgica e grande poliglota, era o encarregado dos negócios. As feiras de moda, ora em Colónia ora em Neuss, davam-lhe a oportunidade de pescar uns clientes que levava para o escritório, onde tinha montado um salão de exposição com a nossa colecção, e puxar pelo negócio. Estive lá com ele na altura da inauguração.



No ano seguinte, durante uma viagem que fiz para visitar algumas fábricas de tecidos, na zona da fronteira dos Países Baixos (cuidado, agora não se pode dizer Holanda), aproveitei para passar de novo pelo escritório, saboreamos ambos um copo de whisky velho, daquele que era reservado para os bons clientes, e perguntei ao Tony por que razão as encomendas não tinham ainda começado a chegar a Vila do Conde. A vida está muito difícil, disse-me ele, os clientes preferem voar para Hong-Kong e deixam-me aqui às moscas.

Quando chegámos ao ano de 1995 e os números começaram a tender para o vermelho, foi preciso cortar algumas gorduras e esse escritório foi um dos primeiros sacrificados. O Tony passou a representar o mercado francês que também não durou muito tempo, Marrocos, Argélia e Tunísia trabalhavam a metade do nosso preço, e acabaria por despedir-se e ir trabalhar por conta própria, antes da virada do século.

Nunca passei um fim de semana na cidade de Dusseldorf, a minha base era em Colónia, até por causa da minha filha que morava para esses lados, e não tive grandes ocasiões para explorar a cidade que dizem ser muito bonita. situada nas margens do Reno, onde se ergue imponente a Torre da TV que apenas vi ao longe!


1 comentário:

  1. O hotel era uma espelunka mas a vida nocturna na Rua Reeperbahn no Bairro de St Pauli deixou-me extasiado. Nunca tinha visto porno ao vivo e para quem estava habituado à CP a viagem de comboio Basel - Hamburgo foi um luxo. Lembro-me vivamente da minha primeira experiência na Alemanha e mais se seguiriam... mas a primeira ficou!

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