quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Está tudo dito!

 Há quase 20 anos que ando nestas lides e já escrevi sobre tudo e mais alguma coisa. No início, pensei apenas escrever sobre a minha vida na Marinha de Guerra e o envolvimento dos Fuzileiros (A Infantaria da Marinha) na Guerra Colonial, também chamada do Ultramar, além de pequenas e esporádicas crónicas sobre o Benfica e as suas conquistas na Liga Portuguesa de Futebol.

Em vez disso já vos contei a minha vida toda, falei da minha família e dos meus amigos, fiz de cronista social e, empurrado por alguns «compagnons de route», até poesia me atrevi a escrever. Agora, depois de 80 anos vividos e 60 depois da juventude que foi boa, enquanto durou, resta espremer a memória e tentar encontrar algo que ainda não foi dito ou, de algum modo, tenha ficado esquecido.

Se eu fosse como a Elviva (do Sexta Feira) inventaria contos que seriam divididos em episódios, tal e qual como as telenovelas, e vos seriam servidos uma ou duas vezes por semana, ou quando não houvesse ideias para outro tipo de publicações. Ou o Edumanes (do Nasci no Alentejo) que bem ou mal rimadas enchia as suas publicações de poesias nascidas ao acaso.

Se eu fosse como o Valdemar, camarada fuzileiro, alfacinha de nascença que hoje vive do outro lado planeta, publicaria fotos e videos das minhas andanças pelo mundo, dos lugares visitados, dos vinhos e petiscos degustados para vos encher de inveja que, tal como eu, não têm genica, tempo ou dinheiro para fazer o que ele faz.

Sobre ementas, mais do que receitas culinárias, também já foram assunto nas minhas pretéritas publicações, agora prefiro saborear os petiscos nelas referidos, quando posso, do que dissertar sobre elas. De vinhos não sou especialista, mas já vos confessei que sou apreciador daqueles que vêm da região do Dão, mas não digo que não a um alentejano ou da Península de Palmela, deixando os do Douro para o último lugar da mina lista.

E de carros, já vos falei? Prefiro os usados e não os novos. Não sou fiel a marcas e gosto de mudar de carro a cada 2 ou 3 anos, o que nunca poderia fazer optando por carros novos, pois isso está muito para além da minha capacidade financeira. E considero um muito mau investimento gastar tanto dinheiro num carro que serve apenas para te levar de um lugar para o outro. E isso tanto fazes num velho como num novo, com as devidas reservas.

Tinha dois carros a gasóleo e dei-os aos netos, comprando para mim um pequeno utilitário, a gasolina, que vai dar e sobrar para as poucas centenas de quilómetros que faço por ano. É um Mazda que veio de Hiroshima, a cidade queimada por uma das bombas atómicas lançadas durante a II Guerra Mundial. Em tempos estive quase para comprar um Toyota Corolla novo, mas em vez disso comprei um velho Carina II que adaptei para consumir GPL e fiz milhares de quilómetros com ele.

De namoradas já vos contei tudo e não vos escondi nada. Sou homofóbico confesso e espero morrer assim! Que mais hei-de dizer? Isto não é um conto como os da Elvira e vai tudo num episódio só. Amanhã terei que buscar inspiração para mais uma publicação e tentarei evitar o Trump, o Putin e outros cromos como esses de quem já nem posso ouvir falar!

Apresento-vos o meu Toyota que foi matriculado no dia 2 de
Janeiro de 1989, pois com a pressa de ir para a festa da passagem
de ano esqueceram-se de o fazer no último dia de 1988!!!


3 comentários:

  1. Quando escrevemos muito sobre as nossas vidas, damos a conhecer o que somos, quem somos.
    E esse gesto não tem mal algum.
    Cumprimentos, caro Tintinaine.

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  2. A vida de emigrante não é exactamente como a vemos poeticamente. No mundo da emigração a poesia muitas vezes passa a drama. Sendo aqui que se nota a diferença entre os nossos emigrantes e os imigrantes ilegais. Mesmo caídos no chão nunca pedimos nada a ninguém - somos genuinamente naturais. Comemos bacalhau em casa e rezamos nas Igrejas sem chatear ninguém. Somos uma especie de pastel de nata que triunfou no mundo sem marketing... Excelente post camarada!

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  3. Gostei de ler e saber mais de ti cuja vida não foi nada fácil!
    Beijos e um bom dia!

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