terça-feira, 4 de agosto de 2026

O pecado esquecido no passado!

 


Na próxima semana, completam-se 55 anos de vida da minha filha mais nova, aquela que tem cidadania alemã e nunca quis ser portuguesa!

O ano de 1971 foi complicado na minha vida. Ontem, contei-vos a minha mudança de emprego, hoje o assunto é outro, muito pessoal e já conhecido de alguns dos meus seguidores. Nesse longínquo mês de julho de 71, fui forçado a tomar uma decisão (nada fácil) que marcaria o meu destino, daí em diante.

Estive à beira do divórcio e só uma coisa (que nada tinha a ver com sentimentos) fez com que isso não acontecesse, o futuro como trabalhador metalúrgico não era coisa que me seduzisse muito. Divorciar-me e ficar a viver na Alemanha com a namorada e a filha prestes a nascer não me parecia coisa para me trazer a felicidade. Assim e um pouco a contragosto decidi continuar casado e regressar a Portugal.

Um blog público não é o melhor lugar para expor estas coisas, mas como vos considero a minha família virtual e a maioria já me conhece o pecado, serve isto para despejar o saco e aliviar a carga que carrego sozinho, há tantos anos!



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O dia 2 de Agosto ...!

 ... calhou ao domingo, neste ano de 2026!

Mas, em 1971, foi segunda-feira!

Como te lembras de uma coisa dessas, perguntam vocês que não conseguem ler os meus pensamentos. Para mim é fácil, foi o dia em que entrei no meu quarto emprego, em que fiquei até ao dia em que me reformei!

Era uma sexta-feira o dia em que consegui a entrevista que mudaria a minha vida. Hoje, ao fim do dia, entraremos de férias e voltaremos ao trabalho no dia 2 de Agosto, disse-me o entrevistador que era o director geral da empresa que acabara de me contractar, às 9 em ponto quero-te aqui no escritório!

E nesse famoso e nunca esquecido 2 de Agosto lá estava eu (com os nervos em franja), antes ainda de soarem as 9 horas, mas tive que esperar até às 10.30 horas, pois o director teve coisas mais importantes a tratar e fez-me esperar e sofrer temendo ter sido esquecido ou apenas sonhado com aquela entrevista e a promessa de um emprego de que tanto precisava.

Tinha vindo da Alemanha de propósito para procurar emprego, se o não conseguisse teria que regressar ao emprego que lá tinha deixado em suspenso, por obra e graça de um encarregado que sempre gostou de mim, desde o dia em que me apresentei ao serviço naquela empresa do ramo metalúrgico. Felizmente, isso não aconteceria e ao fim da desesperante espera o homem apareceu e pôs-me a trabalhar.

Nem vos digo o que me ia na cabeça, eu não fazia ideia do trabalho que me estava destinado e não tinha a mínima experiência como empregado de escritório. Mas como fora contratado para chefiar um grupo de escriturárias que já tinha larga experiência, a solução seria esperar que as coisas fossem acontecendo naturalmente. Primeiro tive que lhes pedir que me explicassem, em pormenor, o que faziam para perceber o que esperavam que eu fizesse. Ajudar no que faziam e controlar!

Mas, em breve, as coisas começaram a mudar e fui chamado a resolver situações que nunca se me tinham posto na vida. Capacidade de decisão, assunção dos riscos e rapidez de actuação para minimizar riscos, acho que acabei por ter tido muita sorte nesses primeiros embates e com isso conquistei o meu lugar ao sol.

Além dos 6 anos e picos que passei na Marinha de Guerra Portuguesa, só tive 4 empregos na minha vida e, por estranho que pareça, 3 deles duraram, exactamente, 13 meses e o quarto e último o resto da minha vida útil. O primeiro, desde que deixei de ser estudante até entrar, como voluntário, para a Marinha. O segundo, depois de sair da Marinha, numa fábrica de Cordoaria (que já não existe) até optar pela emigração, na Alemanha. O terceiro foi numa fábrica de fundição de ferro, situada numa pequena cidade entre Bona (à altura a capital da BRD) e a fronteira belga.

E depois o quarto que duraria até eu pedir a reforma antecipada, com receio de ficar no desemprego pela falência da minha empregadora que se adivinhava a qualquer momento. Havia uma lei que permitia o pedido de reforma ao fim de 40 anos de descontos, mas falava-se à boca pequena que o governo, liderado por Guterres, se preparava para a revogar ou alterar. , Milhares de trabalhadores, alguns com apenas 55 anos de idade, tinham já passado à reforma para aliviar a folha salarial das empresas, maioritariamente, públicas e isso teria que acabar, pois significava uma verdadeira sangria nas finanças do Estado.

Começou no dia 2 de Agosto e terminou no dia 3 de Maio, 32 anos depois. Pelo meio ficam muitas coisas por contar, muitas dores de cabeça, muitas alegrias e algumas tristezas à mistura. Mas acima de tudo um curso completo daquilo que é trabalhar numa grande empresa internacional com escritórios abertos nas maiores capitais europeias e até em New York. Rara era a reunião em que eu não estava presente e isso fazia de mim um verdadeiro cofre em que estavam guardados os maiores segredos daquela empresa.

Pena tive de a ver fechar as portas, 6 anos depois de eu ter saído, e depois de muitos processos de reestruturação que derreteram milhões de euros, liderados por gente que não percebia patavina daquilo que ali estava em jogo. Engenheiros e doutores de economia, recém-formados, para ali enviados para gerirem processos condenados ao insucesso!

No dia 2 de Agosto, 6 anos depois, falecia o grande amigo de Salazar

sábado, 1 de agosto de 2026

Luar de Agosto!

 Como foi Lua Cheia esta semana, vai ser preciso esperar até ao fim do mês para ver a de Agosto que costuma ser especial!

Que tal um fadinho para recordar o Bairro Alto!


sexta-feira, 31 de julho de 2026

A meta!

 A meta é a linha de chegada, ultrapassada que seja pode-se respirar fundo e descansar um pouco do esforço dispendido para ali chegar!

Temos muitas metas pelo caminho ao longo da nossa vida. Umas mais difíceis de ultrapassar que outras. A de hoje é coisa simples, mais uma folha do calendário de 2026 que cai. Chega ao fim o mês de Julho para dar lugar ao de Agosto que em si mesmo é uma meta também para milhões de pessoas por esse mundo fora. Termina um ano de trabalho e chegam as férias merecidas e muito aguardadas.

No meu caso particular, venho assinalar o fim de Julho que é o 3º mês da vida deste meu novo blog e para vos mostrar alguma coisa a esse respeito eu trouxe duas imagens que têm algo a ver convosco, meus fiéis seguidores. Ora vejam:

As estatísticas são factos que dizem muito a alguns e não têm o mínimo interesse para outros. Na imagem acima podem ver quem é mais assíduo e quem nem aparece para me visitar neste espaço que mantenho aberto e activo para quem me segue. Se não estou em erro, os números referem-se apenas à última semana.

Como se pode ver, também aquilo que publico gera maior ou menor interesse ou atrai a atenção de quem passa, conforme o tema que escolho a cada dia. Na última semana foi a procissão de S. Tiago que levou a palma.

De futebol e do Benfica nem sinal! Nota-se que quem me acompanha liga pouco, ou nada, a esse tema, o que não me tira o sono.

E por aqui me fico, pois tenho outra missão a cumprir. Os meus tomates sentem-se abandonados e estão a definhar a olhos vistos, tenho que dedicar-lhes alguma atenção se quero contar com eles para as minhas saladas de verão. Não sei se é é do excesso de calor, se da qualidade que trouxe do viveiro da Estela, o que sei é que este ano ainda não colhi um tomate que se veja. Já arranquei parte dos tomateiros e não sei que faça com o resto para que durem (pelo menos) até ao fim de Agosto.

É que os tomates de estufa que se compram por aí não têm sabor a nada, parecem feitos de plástico, plasticina ou silicone! Por mais sal, azeite e vinagre que se ponha na salada ela não ganha gosto. Por outro lado, os tomates cultivados por nós, ao sol e à chuva, comem-se como maçãs e são uma delícia!

Fui!!!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Hoje joga o Benfica!


Mas mais que isso joga-se o futuro do novo treinador, o Marco Silva que herdou o lugar do Mourinho que passou pelo Benfica como a sombra negra de um corvo que atravessou a Luz, roubando o lugar à águia Vitória! Com uma derrota no seu primeiro jogo oficial, o Marco Silva terá o seu futuro comprometido se não eliminar, logo à noite, o seu adversário que vem da Suíça tentar defender a magra vitória que conseguiu em casa.

Jogar na Liga Europa, em vez de jogar na Champions, já é um insulto que os benfiquistas querem esquecer, mas ser eliminado dessa prova é um insulto maior ainda e uma nódoa na história do Glorioso SLB. Espero que, para bem da nossa (dos adeptos e simpatizantes) sanidade mental, isso não aconteça e que o Marco Silva saia em ombros ovacionado por uma grande vitória conseguida num momento delicado.

Não ser campeão já é mau, ficar em 3º lugar, com o FCP campeão e o Sporting em 2º lugar é como levar uma marretada na cabeça e ficar com um galo que demora a curar. O Marco Silva foi trazido de Inglaterra para tentar inverter esse ciclo negativo que entra no seu quarto ano. Dois títulos para o Sporting e um para o Porto são como 3 balas disparadas no coração benfiquista e só um título poderá apagar essa mazela.

Assim, ficarei o dia todo a contar os minutos, até que o jogo comece e depois a contá-los de novo até que marquem o primeiro golo. Depois disso só espero que a deusa da sorte esteja do meu lado para me alegrar a vida!

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Tombe na neige!

Cai neve em Nova Iorque
Há sol no meu país
Faz-me falta Lisboa
Para me sentir feliz!

Assim canta o José Cid e faz-nos felizes a todos os que apreciam a sua música!

Neve é uma palavra muitas vezes usada no singular e raramente no plural. Neves há as que são eternas nos Himalaias e pouco mais. Mas Neves é também um nome que me traz algumas recordações e delas vos decidi falar nesta minha publicação.

Maria das Neves era a telefonista da empresa que me contratou, em Agosto de 1971. O PBX ainda era daquele tipo de cavilhas que se enfiavam no orifício correspondente a cada uma das poucas linhas telefónicas que tínhamos ao nosso dispor. Um ano depois da minha entrada, fizeram-se grandes obras na minha (?) empresa, o velho PBX deu lugar a uma moderna cabine telefónica e a Neves que não falava inglês depressa foi substituída por outra mais moderna que sabia atender os clientes, maioritariamente, ingleses, com um "good morning" seguido de "a moment please".

A mãe da Neves pariu muitos filhos, mais filhas que filhos em que uma delas sofria de paralisia numa das pernas. Família pobre a morar no, à data, único bairro camarário tinha o pai como sustento da família, a mãe ficava em casa a tomar conta dos filhos. Ele era o bilheteiro no Mercado Municipal e entre a gente mais pobre da Póvoa era uma espécie de general com o seu boné de pala. A filha semi-paralítica sentava-se à porta de casa, sempre que o tempo o permitia, para ver passar a gente.

Neves era também o nome de uma personagem importante que conheci, em Metangula, pequeno povoado nas margens do Lago Niassa, em Moçambique, quando para lá fui enviado, em Setembro de 1964, logo no dia seguinte àquele em que foram disparados os primeiros tiros pelos turras da Frelimo.

Recuando no tempo, cerca de ano e meio, o Sr. Neves morava em Vila Cabral e trabalhava para um empreiteiro que foi contratado pelo Ministério da Marinha para construir a Base Naval de Metangula que era uma verdadeira cidade de betão no meio do mato africano. Acabadas as obras, convidaram o homem que era serralheiro de profissão a ficar na Base, como encarregado das Oficinas Navais que seriam de importância capital num futuro próximo, quando começou a ser formada a Esquadrilha de Lanchas do Niassa, a partir de 1965.

O Sr. Neves tornou-se uma pessoa importante, quando fisgou a criada do comandante e se casou com ela, trazendo ao mundo um rebento do sexo masculino, o Marinho, que ainda hoje vive em Lichinga, actual nome da velha Vila Cabral do tempo colonial. A importância do Sr. Neves cresceu, quando ele abriu um Bar-Restaurante, quase em frente da Porta de Armas da Base e começou a arrecadar o pré da marinhagem, tal como se da Caixa Geral de Depósitos se tratasse.

A esse negócio acrescentaria uma padaria, algum tempo depois, e tornou-se o suporte da população negra, depois da independência, só regressando a Lichinga, quando o peso dos anos a tal o obrigou, deixando o negócio abandonado por falta de quem se interessasse ou tivesse dinheiro para isso. Ele faleceu, há cerca de dois anos, e os edifícios do Bar e da Padaria continuam de pé, à espera de quem os saiba aproveitar.

A minha história e a desse senhor cruzam-se no dia em que lhe roubei um galo de estimação que era o ai-jesus da sua mulher, Maria, ex-criada do comandante Zilhão e actual cozinheira do restaurante. Aliás, ela era empregada e patroa de si própria, uma vez que o marido trabalhava para a Marinha, durante o horário normal em todos os dias úteis. Para mal dos meus pecados encarreguei-a de me cozinhar o galo que eu e uns quantos amigos comemos sentados à mesa do seu restaurante.

Não sei se ela desconfiou, ao ver o tamanho de bicho, pois era de tamanho gigante, mas logo soube a verdade, quando foi ao galinheiro alimentar as galinhas e não o encontrou lá. Obrigou-me a ir a Vila Cabral, à procura de um que substituísse o defunto e eu trouxe-lhe um galo que era uma estampa. Em princípio aceitou, mas depois chorou baba e ranho, por serem as penas deste mais brancas, menos coloridas, que as do que lhe tínhamos comido!

E de Neves estamos falados! Espero que vos tenha agradado o meu conto que tinha previsto ser um pouco mais extenso, mas sou obrigado a terminar à pressa, pois chegou uma visita e não quero deixar isto em suspenso. Uma boa notícia é que estou melhor das minhas artroses e já consegui escrever isto a duas mãos!

domingo, 26 de julho de 2026

A Procissão!

 

Ontem, foi o dia do santo, mas é hoje que a procissão sai à rua! Nas aldeias de Portugal é habitual acontecer isso, pois a semana consta de 6 dias de trabalho e 1 para descansar e pensar em festas!

Na minha terra também funciona assim. E, actualmente, com a crise em que vivemos, os andores são pequeninos e carregados por mulheres, coisa impensável nos tempos de antigamente. Com excepção do andor de S. Tiago que é sempre o maior de todos, tão grande que era difícil fazê-lo passar por baixo dos grandes carvalhos que enchiam o adro da igreja.

Vai daí, a comissão fabriqueira que zela por essas coisas da igreja mandou abater todos os carvalhos e plantar umas miniaturas de oliveira que serão podadas a contento do Sr. Abade para que o andor passe sem atritos. E, no fim, talvez ainda colha uns alqueires de azeitona que dará para manter acesa a candeia que ilumina o Santíssimo!

Já eram grandes, quando eu fui baptizado e agora foram transformados em lenha para aquecer alguém, esses carvalhos que embelezavam o adro. Não tinha que ser assim, era uma questão de aperfeiçoar a poda, mas há ideias contra as quais não vale a pena lutar. Bota abaixo que assim não se fala mais nisso!

E, já agora, a candeia do Santíssimo foi substituída por uma lâmpada eléctrica e as azeitonas já podem ser destinadas a outros fins, por exemplo, a merenda do Sr. Abade, depois da festa!

E vão 4 de uma vez!

 Há dias assim! Não sabia por onde começar e lembrei-me de ir ao Youtube buscar mais um clip do Adriano Celentano para vos dar a conhecer um...