Não lhe dei o nome de Tiago, porque queria que ele tivesse um nome com história e que se interessasse por ela, como eu sempre fiz. Gente sem história não tem passado nem futuro, assim chamei-lhe MARCO AURÉLIO e ensinei-o a gostar da história de Roma antiga.
Herdou mais coisas da mãe que do pai, mas o cocktail saiu melhorado e não tenho razão de queixa. Custou a encontrar o seu caminho, a nível profissional, mas acho que a coisa, agora, está resolvida. Trabalho não lhe falta e ele não é de lhe virar as costas, por isso está como um comboio em cima dos carris, a inércia não o deixará parar.
O nome de Tiago ficou reservado para um sobrinho que nasceu alguns anos depois e de quem me encarreguei também até sair da universidade. Agora já voa sozinho e serve o governo de Luís Montenegro, como Técnico Revisor de Contas. Podia estar melhor, mas não está mal de todo!
Isto do TIAGO tem a ver com a única festa que eu conheci, quando era criança, a de S. Tiago, na minha aldeia natal. Tempo da Escola Primária em que tudo era novidade. Carros não havia, estradas também não, andava todo o mundo de bicicleta para ir "ver a moça" ou a festa de S. Tiago com sermão e missa cantada, onde não faltava uma banda de música e foguetes no ar a cada passo.
Vida simples de gente simples que vivia para o trabalho e não conhecia grandes prazeres. Trabalhar de sol a sol, 365 dias por ano, com um leve abrandar das actividades no dia de domingo, era o fado de cada um naquele fim de guerra em que o Salazar evitou que entrássemos, mas cujo efeito se fez sentir e bem, durante os meus primeiros 10 anos de vida. Bens de primeira necessidade racionados e miséria à vista por todo o lado.
Muitas graças tenho que dar a Deus pelo pai e mãe que me reservou, pois deram o litro para que a fome, impossível de evitar numa família que crescia todos os anos, fosse suportável e não provocasse mazelas na saúde de todos nós. E no dia da festa do S. Tiago rezávamos uma oração especial ao nosso santo para que nos protegesse por mais um ano.
Passado o dia da festa, começavam as uvas a pintar e até fim de Setembro eram a nossa manteiga para amaciar a broa de milho, por vezes já bolorenta, que era o nosso alimento principal. Uma fatia de pão de milho 5 vezes ao dia era dose cavalar, mas sem isso era a fome garantida. No recreio da escola ou no campo, a meio da tarde, com meia dúzia de azeitonas, era assim que lutávamos contra a "larica".
Obrigado, S. Tiago, por me teres trazido até aqui! Há 82 anos que viajamos juntos e quando chegar aí a cima vou à tua procura para te agradecer, pessoalmente!

S. Tiago pode esperar, caro Tintinaine.
ResponderEliminarCumprimentos