quarta-feira, 13 de maio de 2026

De olhos em bico!

 


Por conta do Trump que vai (ou ia) a caminho da China, desde ontem à noite que só me aparecem chinesas bonitas a dar notícias sobre a visita do cromo loiro americano. Dizem que ele se vai encontrar com Jimping e não leva nas suas mãos as cartas que queria para virar o jogo a seu favor.

Como em todo o lado, deve haver raparigas bonitas, feias e assim assim, na China. Mas seja nos noticiários ou nos desfiles militares só nos mostram raparigas 5 estrelas, daquelas que conseguem acelerar o nosso ritmo cardíaco. Tenho a certeza que o fazem para me agradar e agradeço-lhes por isso.

Quanto ás cartas que não são favoráveis a Trump, ele que se contente e lembre aquilo que disse ao Zelensky na sua primeira visita á Casa Branca, "tu não podes jogar, não tens cartas para isso"! É assim a vida, num dia corre-nos tudo bem e no outro pode acontecer que tudo nos corra mal. Seria uma maravilha se o gráfico da nossa vida fosse uma verdadeira montanha russa, sempre a subir, até ao dia em que fôssemos convidados a abandonar este mundo e deixar tudo para trás.

A mim parece-me que a única preocupação séria de Trump é a possibilidade de o Irão fabricar uma bomba atómica que possa riscar Israel do mapa. E até pode acontecer que a China o ajude nesse propósito, pois também eles não gostam da ideia de ver mais uma potência nuclear a despontar perto das suas fronteiras. Os EUA e a China têm muitos interesses em comum e vaticino que o encontro entre os dois titãs da política mundial correrá pelo melhor.

A questão da independência da Ilha Formosa que os portugueses avistaram em 1544 há-de resolver-se mais assim ou mais assado e se não fosse o negócio dos chips que as indústrias americanas ali concentraram, ninguém daria importância ao assunto. O tempo de Trump passará e o futuro dos ilhéus da Formosa terá que passar pela convivência com os chineses por muito ou pouco socialistas que eles sejam!

Linha do Tempo e Marcos Históricos
  • 1544 (Avistamento): Navegadores portugueses passam pela costa da ilha a caminho do Japão. Impressionados com a paisagem, exclamam "Ilha Formosa!", nome que batizou o território nos mapas ocidentais por séculos.
  • 1582 (Primeiro Desembarque): Ocorre o primeiro contacto físico documentado com a ilha. A tripulação portuguesa sobrevive a um naufrágio e permanece várias semanas no território.
  • 1600 (Entreposto): Os portugueses chegam a estabelecer um breve posto de comércio na ilha antes da posterior ocupação por espanhóis e holandeses.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Moçambique, minha segunda pátria!

Os recursos de Gás Natural (GN) existentes no offshore da Bacia do Rovuma em Cabo Delgado em jazidas de águas profundas, são extraordinários e de grande dimensão (reservas estimadas de 125 a 130 triliões de pés cúbicos (tcf)). Esta reserva descoberta em 2010 pode ser das maiores de GN de toda a África e aproximar Moçambique das potências do gás em África, nomeadamente a Nigéria e a Argélia. Moçambique surge já em 13º lugar no ranking das reservas provadas a nível global, prevendo-se o aumento para valores ainda mais significativos para os próximos anos. Este gás não associado é ainda considerado tecnicamente um gás de boa qualidade exploratória.

Plataforma flutuante

A Guerra Colonial levou-me para Moçambique com 18 anos de idade. Passei lá a época em que o rapaz se transforma em homem com tudo o que isso implica. Não admira, portanto, que eu considere esse país como a minha segunda pátria e, assim sendo, todas as notícias que se relacionem com ele me interessem sobremaneira.

A exploração de gás e petróleo, na bacia do Rovuma, nada pacífica por causa do terrorismo que ali se instalou e só interesses muito obscuros justificam, deveria trazer a Moçambique um pouco de riqueza de que o povo tanto necessita para sair da lista dos países mais pobres do mundo, sempre de mão estendida a esmolar uma ajudinha, seja na saúde, na educação ou ainda na assistência social. No entanto e até hoje, não se nota na vida dos moçambicanos qualquer melhoria vinda desse negócio.

Segundo é referido pelas más-línguas, a Frelimo e os seus muitos afilhados derretem toda a riqueza que o país produz, além das muitas esmolas vindas da ajuda internacional. Os governos que têm gerido o país eram (foram) constituídos por antigos membros do partido que andaram envolvidos na Guerra Colonial. Das últimas eleições saiu um governo, liderado por um advogado, Daniel Chapo, constituído, maioritariamente, por gente mais nova e em grande parte nascida depois da independência para quem essa guerra já não tem qualquer significado.

Um dos pontos que me deixa preocupado é a incapacidade de travarem o terrorismo na província de Cabo Delgado. Eu sei que Moçambique não tem umas Forças Armadas no verdadeiro sentido do termo, treinadas e capacitadas para defender o enorme território que os portugueses lhe deixaram de herança, mas é uma vergonha o pouco, quase nada, que conseguem fazer naquela província do litoral norte do país. A própria polícia é um amontoado de gente que recebeu o cargo como prémio da sua fidelidade ao partido e que sendo mal paga recorre a todo o tipo de corrupçãozinha para levar a vida.

Algumas das decisões do presidente Chapo, neste início do ano de 2026, parecem dar a entender que as coisas começam a mudar. As suas viagens pelo estrangeiro, os contactos feitos e algumas obras lançadas levam-me a pensar que agora é que vai ser, que as coisas vão começar a entrar nos eixos. O programa de melhoramentos das estradas na província do Niassa é um exemplo disso. É incrível como um país daquele tamanho não tem ainda uma única autoestrada e mesmo a EN1 que liga a capital ao norte do país, passando pela Beira, é uma manta de retalhos de alcatrão com muitos buracos pelo meio, onde os meios de transporte pesado se vêem e desejam para progredir na sua marcha.

No Niassa só muito recentemente foi concluída a ligação entre Nampula-Cuamba-Lichinga com um tapete de alcatrão digno desse nome. As outras duas estradas que conheço ligam Lichinga a Marrupa, em direcção ao oceano indico, mas ainda longe dele, e em direcção ao poente, onde fica o lago Niassa, já houve uma estrada alcatroada (com cerca de 120 Kms), mas hoje mais de metade desse trajecto voltou à terra batida (vulgo matope) que se transforma num inferno no tempo das chuvas.

Programa "Mais Estradas – 2031"

Objetivo: Reabilitar e construir mais de 3.500 quilómetros de estradas nacionais, focando na asfaltagem de troços estratégicos para o escoamento de produtos agrícolas e industriais, além de melhorar a ligação entre distritos e províncias.

Arranque: O início das obras está agendado para o segundo semestre de 2026.

Duração: O plano estende-se por cinco anos (2026-2031).

Este programa e a distribuição de muitas dezenas de autocarros na província de Maputo, acontecido no passado fim de semana, são a prova de que algo está a mudar e espero que agora seja para valer.

Os verdinhos movidos a gás

Muitos são para transporte escolar

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Putin, os mortos e a nossa comunicação social!

 


Há dias que ando a pensar em dedicar uma publicação ao maníaco de S. Petersburgo e agora residente em Berlim, escondido nas catacumbas do Kremlin!

Ele é um narcisista daqueles que não têm cura nenhuma por mais especialista que seja o psiquiatra que possa contratar para lhe tratar da saúde mental.

Ontem, assisti na nossa TV a uma produção (não sei de quem) sobre a sua vida desde pequenininho. Pelos vistos, nasceu pobre, pequeno e fraquinho como uma haste de vime oscilando ao vento! E isso marcou-o para toda a vida. Quis entrar para o KGB (agora FSB) para aprender tudo sobre os métodos usados e ter a garantia de os poder usar na prática.

Frequentou ginásios e fez tudo o que é possível e imaginável para desenvolver o físico e ganhar alguma confiança frente aos seus (imaginários) inimigos. Da sua memória nunca desapareceram aqueles miúdos que o desancaram, quando ainda era pobre, pequeno e fraco e tenho a certeza absoluta que se encontrou algum nos seus tempos do KGB o deve ter tratado a preceito, à moda do KGB que ficava sempre por cima.

A respeito da pobreza começou a tratar logo que se viu ao leme da nação comunista. O fim da União Soviética e a rebaldaria geral que foi a distribuição dos bens e empresas públicas, nos primeiros anos após a Perestroika de Gorbachev, forneceu-lhe a ferramenta ideal para conseguir o que queria. Os grandes magnatas russos que ficaram multi-milionários de um dia para o outro, eram aqueles que ocupavam o poder, antes do colapso. Putin, como membro da polícia secreta, conhecia-os bem e devia conhecer também os seus podres, aproveitando-se da situação para começar a encher os bolsos.

Depois de assumir o comando do governo, em 1999, e logo de seguida como presidente, no ano 2000, começou a investir a sério na sua pessoa, na sua fortuna e na sua carreira. Uma coisa leva a outra e, em pouco tempo, transformou-se num oligarca entre os maiores. Diz a má-língua que a sua riqueza é enorme e difícil de calcular. Foi reeleito vezes sucessivas, ao longo dos últimos 20 anos e acredito que nunca abandonará o poder por vontade própria.

Em 2022, lançou-se nesta aventura de reconquistar a Ucrânia que, em 1991, tinha saído da esfera russa. Invadiu o país e deixou os seus generais cometer atrocidades que ficarão na História da Humanidade. Em especial, Yevgeny Prigozhin, líder do Grupo Wagner, que massacrou milhares de ucranianos na zona de Bakhmut, mas também os grupos chechenos e outros que deixaram o seu nome escrito na história negra de Mariupol.

Por falar em vítimas da Guerra da Ucrânia, já ouvi falar de mais de um milhão do lado da Rússia e perto de outro milhão do lado da Ucrânia. Muitos são os números citados na nossa comunicação social, cada um mais impreciso e fantasioso que o outro. Para dourar a pílula há quem acrescente "mortos e feridos", deixando-nos às escuras sobre quantos são uns e outros. Neste fim de semana, por conta das comemorações de 9 de Maio, em Moscovo, e da troca de 1.000 prisioneiros de cada lado, esse assunto voltou à baila e ouvi, da boca do Zé Milhazes, especialista em assuntos russos, que os mortos foram 300 mil.

Já não sei em quem acreditar e não ponho a mão por nenhum órgão de informação cá do sítio, mas sejam quantos forem serão sempre demais, pois nada justifica uma guerra deste tipo nem o sacrifício de vidas e o sofrimento de famílias a que temos assistido nos últimos 4 anos e picos. Maldito seja o Putin e mais quem o apoia nesta desgraça. E que a guerra acabe depressa, pois já demorou demasiado tempo!

Imagem da fábrica Azovstal feita em cacos

domingo, 10 de maio de 2026

Há coisas que não mudam!

 No meu antigo blog, eu dizia-me fuzileiro e benfiquista. Há coisas que a gente é e nunca muda. Nos fuzileiros dizemos sempre "eu sou fuzileiro" e nunca "eu fui fuzileiro", pois "uma vez fuzileiro, fuzileiro para sempre". É esse, exactamente, o lema dos fuzileiros!

E benfiquista também me vejo até morrer! Não vou pedir à família que cubra o caixão com a bandeira do Benfica, quando eu morrer, mas podem ter a certeza que nunca acudirei por outro clube a não ser pelo da águia rubra. Tenho um fraquinho pelo Gil Vicente que é o clube do meu concelho, aquele onde abri os olhos para este mundo de Deus, mas esse é um amor platónico que não choca com aquilo que sinto pelo Glorioso!

Vem isto a propósito de, ontem, ter falado da minha vida nos fuzileiros e na minha participação na Guerra Colonial, em Moçambique, e hoje pretender deixar aqui umas palavras sobre futebol e sobre o Benfica que está e continuará sempre a estar nas bocas do mundo. Desta vez por duas forte razões, a primeira porque disputa com o SCP o 2º lugar e o acesso à Liga dos Campeões e a segunda porque o nosso treinador está com um pé no Real Madrid e o mais provável é que assine contrato com eles para a próxima época.

No que respeita à disputa com o Sporting, veremos como corre o jogo com o Braga, amanhã à noite. O calendário do Sporting é mais fácil, mas tem sido nos fáceis que eles têm metido água. Por outro lado, o Braga é a nossa alma negra, já estivemos várias vezes nesta situação e várias vezes saímos a perder. No caso do treinador, já nos apresentaram uma lista de 4 para substituir o Mourinho, sendo o mais provável o Marco Silva que treina na Premiere League, ou o treinador actual do Braga, seguido do Rúben Amorim e do Filipe Luís, antigo jogador do Atlético de Madrid e actualmente a treinar no Brasil.

Sinceramente, eu estou convencido que o Mourinho vai mesmo embora, ninguém resiste a um convite do Real Madrid! E também sinto que o Rui Costa gostaria de contratar o Rúben Amorim para o seu lugar, mas está cheio de medo por causa do que se passou em Manchester. O Rúben atingiu os píncaros da lua no Sporting e deu com os burros na água no Man United. Por culpa dele, da estrutura do clube ou dos jogadores que não colaboraram. Nunca saberemos o que realmente se passou, mas o facto é que correu tudo muito mal e o Benfica não pode arriscar-se a que lhe aconteça o mesmo.

 Mas, como diz o ditado, seja o que Deus quiser, pois isso não me fará mais rico nem e trará mais saúde ao esqueleto que já teve melhores dias!

O «Bote Voador» do Tenente Maxfredo

sábado, 9 de maio de 2026

Passado e presente!

 Na minha última visita à aldeia que me viu nascer, encontrei um colega da minha turma da 4ª Classe, o Joaquim Araújo, mais conhecido por «Quim do Salvador», Salvador que era o nome do seu pai. Depois dos cumprimentos da praxe, lembrei-me de lhe perguntar se ele sabia quantos ainda eram vivos desse lote de amigos e colegas de escola que, há tantos anos me tinham saído da vista. Somos 6, disse ele, e começou a enumerá-los. Como não referiu o meu nome, disse-lhe que "então somos 7, pois eu também cá ando, por enquanto!

E falando de encontros e desencontros desta vida, ontem telefonou-me um velho camarada da Companhia Nº 2 de Fuzileiros (CF2) para saber da minha saúde. Estivemos quase meia hora ao telefone e acabamos a falar muito mais da saúde dele que da minha. Ele já vai nos 85 e tem apanhado uns sustos, ora por causa do coração que teima em falhar, ora por causa da próstata com um PSA acima de 10.

Ele tem uma loja de móveis, no Entroncamento, e divide a tarefa de tomar conta do negócio com um filho que deve ser filho único, pois nunca o ouvi referir-se a filhos. Ele anda com algum receio de conduzir, pois apaga-se de vez em quando e tem que parar por uns minutos para recuperar. Aconselhei-o a pedir ao filho que o conduza, quando precisar de sair de casa. E a loja, quem toma conta dela, perguntou-me ele. Fiquei a pensar que dá mais importância ao negócio que à própria saúde e com a idade que tem já se devia ter desligado disso. Que deixe o negócio para o filho e as preocupações também!

Na nossa longa conversa, lembrou-me que também fazia parte do grupo que deu as boas-vindas à luta armada da Frelimo, no Niassa, em Moçambique, nos idos de 1964. Pelos vistos, ele também pertencia ao 3º Pelotão da Companhia, o tal que foi enviado para Metangula, a toda a pressa, para proteger o Posto de Rádio da aldeia de Augusto Cardoso, única coisa que existia e valia a pena proteger naquele fim de mundo. Ele e o Zé Pintado, um cromo alentejano que seguiu com ele para a capital, antes do tempo, por motivo de doença. E queria saber notícias desse camarada que também não vê, há séculos. Está num lar de idosos, no Lavradio, disse-lhe eu!

E, falando de coisas mais recentes, não poderia passar sem falar naquilo que, hoje, se passa, em Moscovo. O Putin é marca rosca e pediu uma trégua para fazer o desfile na Praça Vermelha, mas aproveitou o dia de ontem, assim como os anteriores, para massacrar os ucranianos. Ele merecia que a Ucrânia lhe mandasse um drone com carga máxima para aterrar (explodir) na Praça Vermelha, durante o desfile. mas o presidente Zelensky limitou-se a fazer humor com isso, enviando-lhes um recado. Eu autorizo que vocês façam a festa da vitória (sobre os nazis de Hitler) em paz!

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Assim vai a vida!

 Anteontem, como vos contei, fui assistir ao enterro de um conterrâneo que mal conheci. Como esperava, encontrei lá o seu irmão José, o tal gerente da Quinta do Paraíso, em Lourenço Marques, e trocámos umas palavras de circunstância, por entre pessoas de lágrima ao canto do olho e lenço na mão pronto a enxugá-la.

 Ontem foi um dia passado no hospital. Fechou-se o primeiro ciclo desta minha nova vida em que recebi uma série de cocktails preparados para a minha pessoa em exclusivo pela farmácia do HPH de Matosinhos.

Seguem-se uns dias de descanso e dentro de duas semanas vou fazer os exames necessários para avaliar a progressão das melhoras que é o mesmo que dizer, a regressão da doença. O resultado desses exames ditará o que será o meu futuro próximo. Mais tratamentos, penso eu, talvez num ritmo mais lento. Isso serão as boas notícias e noutras nem quero pensar.

Para aliviar o stress, nesta sexta-feira tenho programada uma intervenção de fundo na minha horta. Será o dia de recolher as favas que estão todas partidas com a ventania, mas com aspecto de terem um belo recheio dentro das suas vagens. Para terminar, darei uma esgatanhadela na terra, para grandes cavadas já não estou preparado, para seguir com outra cultura, talvez couve portuguesa. Esta couve tem uma grande reserva de ferro, dá para uns bons caldos verdes para repor os níveis desse mineral no meu sangue e também para alimentar as galinhas que me dão os ovos para o "bacalhau à Brás".

O bacalhau está caro, subiu uns bons 50% no último ano (pago a 18€ o que antes pagava a 12€ por kilo), mas sendo um dos meus petiscos preferidos, à Brás, Gomes de Sá, lascado ou, simplesmente, cozido, o remédio é pagar o preço que pedem, enquanto o nosso governo não acaba com a especulação tabelando os preços. A começar nos combustíveis que à conta das tropelias de Trump nos estão a levar à loucura!

Se as tivesse amarrado assim não estariam caídas!

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Marcha atrás no tempo!

 Eu só tinha 18 anos!

Quando munido de uma G3 cheguei a Moçambique para defender aquela "província ultramarina" (havíamos sido proibidos de lhe chamar colónia) por ordem de Sua Ex.cia o Prof. Dr. António de Oliveira Salazar que eu conhecia bem da minha Escola Primária, onde havia uma grande fotografia dele pendurada por cima do quadro preto.

Ficamos alojados num quartel novo (semi-acabado) no lugar do Infulene que já pertence à Vila da Machava. A distância até ao centro da capital era de meia dúzia de quilómetros e tínhamos ao nosso serviço um belo autocarro azul marinho, cor oficial da Marinha de Guerra, de marca Scania Vabis que nos levava e trazia da cidade sempre que não estivéssemos de serviço ou de castigo. Nunca poderia esquecer o castigo, pois era a ocorrência mais registada no «LIVRO» com que éramos ameaçados a toda a hora.

Olha que vais para o Livro, dizia o sargento sempre que tinha acordado para o lado errado! Um passo em falso, uma barba mal feita ou um cabelo a ultrapassar os 4 cms de comprimento, uma palavra, uma risada, um olhar de través na formatura e já estavas no livro e com as licenças cortadas. Mas. esquecendo isso, era uma alegria entrar no Scania e rumar à cidade para ver outras caras (e corpos) que não os do dia a dia e sempre de farda vestida.

Quando havia umas coroas livres era obrigatória uma paragem na Quinta do Paraíso, junto ao Jardim Zoológico, onde se bebiam fresquinhas Laurentinas e se comiam bem picantes galinhas à cafreal. Mais tarde, na minha segunda comissão de serviço, já tinha construída a fábrica de cerveja 2M, a meio caminho entre o Quartel e a Quinta do Paraíso e a cerveja passou a ser a 2M, em forma de bazuca, que servia para refrescar a goela esquentada pelo piri-piri.

O gerente do negócio era um filho da minha terra e de parentesco afastado e por isso contava com ele como amigo. O seu restaurante servia de pensão e asilo a muito fuzileiro que passava à porta da "Quinta" várias vezes ao dia e se sentia tentado a entrar. O Sr. Araújo (ou Alves, apelido do seu pai, como também era conhecido) regressou a Portugal, depois da independência da colónia, e ficou a residir aqui na Póvoa. Já éramos amigos, continuamos a ser e vemo-nos, de vez em quando.

Por coincidência, no meu primeiro emprego, depois de sair da Marinha, tinha por colega um irmão desse Sr. Araújo que morava na aldeia onde ambos nascemos e faleceu anteontem. Toda esta viagem pelo passado serviu apenas para vos informar que daqui a umas horitas o vou acompanhar atè à sua última morada e espero lá encontrar o velho Araújo da Quinta do Paraíso para matar saudades. E digo velho, porque ele era uns bons dez anos mais velho que eu e, se não morreu entretanto, vai entre os 90 e os 100. Para além de que a alcunha da família da sua mãe que era "do Velho", família de muitos irmãos, cunhados, filhos e sobrinhos que conheci bem e com quem convivi, durante os primeiros anos da minha juventude!

 



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