De repente, aproxima-se um homem, já entradote na idade, com a farda da organização do evento, põe a mão em forma de concha, em frente á sua boca, e diz: - This is a bomb alert, abandomn the premises now and quietly! (Alerta de bomba, abandonem o edifício já e nas calmas).
Foi o tempo em que após os muitos atentados em Belfast, o IRA decidiu transferir a guerra para a capital inglesa para eles, os ingleses, sofrerem aquilo que os nacionalistas irlandeses sofriam na pele na sua terra natal, onde eram oprimidos pelos ocupantes (tal como ainda hoje acontece).
Respeitando a ordem, eu e os meus companheiros pusemo-nos na rua em três tempos. Escondemo-nos pelos cantos à espera de ouvir o tradicional boom e os gritos das pessoas, mas não aconteceu nada. Cerca de meia hora mais tarde veio a informação de que se tratou de falso alarme e voltámos todos aos nossos afazeres na paz do Senhor.
Os recentes acontecimentos, em Belfast, com autocarros incendiados, pancadaria, tiros e muita confusão fizeram-me recordar este episódio do tempo em que andava de malinha na mão a correr as capitais europeias, de feira em feira e a aturar os caprichos dos clientes. O cliente tem sempre razão, ensinaram-me, e eu que fui sempre bom aluno nunca me esqueci disso. Paris, Londres, Milão ou Colónia eram-me familiares nesses tempos e foram o meu campo de batalha, nos últimos 20 anos do século XX.
Agora, estou velho e trôpego e nem um alerta de bomba me faria correr. Como diz o ditado, quem já andou não tem para andar!
N.B. - A figura acima, para quem não conhece, pertence a Gerry Adams, carismático líder do IRA, nesses tempos conturbados da guerra contra a Inglaterra de Elizabeth II.

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