Há uns minutos, ouvi alguém desejar "bom feriado" a alguém de quem se despedia. Apeteceu-me gritar-lhe, daqui do canto em que passo os meus dias, que não é feriado, é dia santo da igreja. E para a igreja deveriam ir as pessoas, rezar e pedir perdão pelos seus pecados, neste dia que se celebra o Corpo de Deus, e não a correr para o Algarve testar a temperatura da água dos mares do sul.
Os católicos levam a religião pouco a sério, talvez porque nem católicos sejam, foram apenas baptizados pelos seus pais, quando nasceram, porque isso era - talvez ainda seja - um hábito instituído. Uma concha de água pela cabeça abaixo e alguns nunca mais voltaram a entrar na igreja, depois dessa cerimónia. Estou a exagerar um pouco, mas nas grandes cidades e na grande maioria dos casos não ando muito longe da verdade.
Aqueles que, hoje, não se sentirem virados a ir para a igreja e ouvir o padre arengar sobre o dogma da Igreja Católica Apostólica Romana que afirma que o corpo e sangue de Jesus Cristo está naquela hóstia que é consagrada durante a missa, deviam ir trabalhar para o patrão que lhes paga o salário no fim do mês. Ou, em alternativa, ir para uma sinagoga ou uma mesquita pensar se não estará na altura de mudadrem de religião.
Eu sou um católico não praticante, pois não me revejo na actuação dos padres católicos e não tenho pachorra para ouvir aquilo que dizem. De padres já tive a minha dose e, juro, foi uma dose cavalar! A minha mãe era uma verdadeira fanática da religião, enganadinha e bem pelo abade da freguesia que recrutava (a bem ou a mal) todos os fregueses que o arcebispo de Braga lhe punha nas mãos. Desde os 6 anos de idade que me escorraçava da cama, a cada primeira quinta e sexta-feiras do mês, o mesmo no primeiro sábado e todos os domingos do mês, às 6 horas da matina, quer chovesse ou fizesse sol, para engolir a hóstia, a tal de que falei acima.
Depois da minha mãe vieram os padres jesuítas que foram meus educadores, até aos 16 anos, e me trataram ainda pior que ela. Ao começo e fim do dia, havia uma hora de capela para pôr as rezas em dia e não havia maneira de escapar a esse suplício. Bem o tentei algumas vezes, mas fui severamente castigado. Agora, quando me perguntam que religião sigo, eu digo que sou budista. Eu nem sei bem o que isso é, mas o resto do pessoal que ciranda à minha volta também não, portanto seguimos todos com a nossa vida na mais santa paz!
Eu não sou nenhum santo, reconheço isso, mas há muitos por aí que são piores que eu, pensem só no Putin e outros que a ele se assemelham e andam por aí todos engravatados a apertar as mãos uns dos outros. Eu prefiro-me assim!!!

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