quinta-feira, 28 de maio de 2026

Tirar medidas e fazer o orçamento!

 Já me meti, mais que uma vez, na empreitada de fazer ou reconstruir uma casa e pegar na fita métrica para medir o tamanho daquilo que se tem, por vezes muito diferente daquilo que se gostaria de ter, e decidir como encaixar ali a casa (ou a coisa) dos seu sonhos não é novidade para mim.

Vem isto a propósito de umas medidas que tenho que tirar, hoje, não para fazer uma casa, mas para ver até que ponto as  quatro semanas de tratamentos conseguiram reduzir o tamanho do meu baço, o tal orgãozinho que todos temos e dizem não nos fazer falta nenhuma, onde reside o problema de saúde com que me debato nos últimos tempos. O especialista espera-me às 11.24 horas (espanta-me a precisão) para dar o seu veredito e guiar a equipa médica nos passos seguintes.

Eu poderia nem falar nisto, aliás há quem me critique por o fazer, pois não ganho nada em tornar pública uma coisa que só a mim diz respeito, mas como poderia fazê-lo se não me passa pela cabeça outra coisa que não seja isto. O meu bestunto, nome comum para cérebro humano, está 100% dedicado ao meu estado de saúde e não o consigo programar para funcionar de outra maneira.

Ontem, meti-me num comboio que passa aqui perto e fui nele até ao fim da linha. Perguntei ao revisor quanto tempo tinha até iniciar o caminho de volta e dava ao certo para ir ali a duas centenas de metros da estação e engolir o almoço que lá me pudessem servir. A ementa oferecia-me três escolhas, uma de carne, outra de peixe e uma terceira que foi logo rejeitada e já nem recordo o que era. O preço fixo e igual para todos, portugueses e galegos que ali estavam em maioria, 12.50€.

Calor era para lá de muito e o ar condicionado a funcionar no máximo aconselharam-me a escolher um vinho verde branco muito fresquinho e optar pelo prato de carne, pois o peixe sempre e obrigatoriamente de aquacultura agrada-me cada vez menos. Faltavam 24 horas para a hora marcada na clínica para o exame de hoje, uma razão para me obrigar a não esquecer a doença e aquilo a que me obriga.

Engolida a tal refeição de carne que não passava de, na prática, ser meio frango de churrasco com muita e boa salada (que apreciei) e batatas fritas, eis-me de volta à estação e pronto para a viagem de regresso a casa. A paisagem verdinha do Minho, a correr ao lado da janela acompanhou-me durante toda a viagem e, coisa estranha, o comboio não parou nas mesmas estações onde o tinha feito à ida. Alguma razão teria para o fazer, mas não quis fazer disso uma preocupação, pois disso já tenho que me chegue e sobeje.

Que eu saiba, agora já não há emendas nos carris, são soldados uns aos outros para melhor harmonia, mas o comboio continua a matraquear-nos os ouvidos com aquele característico tic-tac, tic-tac, como se as emendas lá estivessem. Fechar os olhos e ouvir aquele som fez-me lembrar de uma outra lenga-lenga que antigamente as catequistas referiam as suas aulas de catequese. Sempre, nunca, sempre, nunca, era o tiquetaque de um relógio colocado por cima da porta do inferno que lembrava aos condenados que estariam ali para sempre e nunca mais de lá sairiam!

Um pouco como eu que não consigo arredar da minha mente a ideia e estar velho e, ainda por cima, doente!

2 comentários:

  1. Qualquer assunto é assunto. Nem só da maldição-social/ista que paira em Portugal vivem os portugueses... Seria bom que pudesse fazer o mesmo. Almoçar por 12.50 euros nem no Maccas.

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  2. Há que acreditar em bons resultados. Às 11:24, hora informatizada, ou mais tarde um pouco.
    Espero que sim, caro Tintinaine.

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