Começo por afirmar e já não é a primeira vez que o faço que a NATO, nascida no fim da II Grande Guerra, já não cumpre qualquer objectivo que levou à sua criação e deveria, por conseguinte, ser extinta. Já lá vão mais de três quartos de século, desde a derrota da Alemanha e regresso das tropas, as que não pereceram no conflito, aos seu quartéis. Neste período quem tem lucrado rios de dinheiro com o fornecimento de armas são os EUA que, no entanto, continuam a gritar que ninguém contribui para o orçamento dessa organização tanto como eles.
Pudera, eles assentaram praça por essa Europa fora, construíram quartéis e têm tropas em tudo o que é país e não vale a pena dizer que o fizeram para nos defender. Fizeram-no porque lhes convinha, a Guerra Fria que alimentaram até ao advento da Perestroika de Gorbatchev, serviu-lhes para conquistarem a hegemonia a nível mundial e ganharam muitos triliões de dólares à custa disso. Assim as despesas na NATO eram pagas por todos, mas eles foram sempre os grandes beneficiados.
Desde que o Trump assumiu a presidência, meteu-se-lhe na cabeça a ideia de subir de 2% para 5% a contribuição a pagar para pertencer ao clube. Há países, como o nosso, que não têm dinheiro suficiente para investir nas coisas mais básicas, como a Saúde, Educação ou Habitação e dói-nos a alma ao ver milhões de euros desviados para a "Indústria da Guerra" que é a menina dos olhos de gente como Trump e Putin. Quem não tem dinheiro não tem vícios, lá diz o ditado e quem não tem +/- três milhões de dólares para comprar um Tomahawk faz como o presidente Zelensky, usa um drone de 220€ para se defender.
Fabricar mísseis e facturá-los à Nato foi o negócio do passado que manteve a Indústria da Defesa americana no auge e a ganhar dinheiro para poder lançar-se na conquista do espaço, além de outros voos. Nós, os europeus que não querem continuar a seguir as políticas guerreiras dos EUA, devemos pregar a paz e não a guerra, conseguir pela via diplomática e não pelas armas aquilo que achamos melhor para os nossos países.
Aliás, a Europa tem outro grande problema, além da falta de dinheiro para fomentar a guerra. A falta de guerras (e ainda bem) nos últimos 80 anos, fez com que os governos deixassem de investir na formação de tropas e renovação de armamentos. Só a teimosia dos nossos vizinhos de leste em viver num regime comunista justifica que se pense em defesa e armas para a concretizar. Mas cada vez menos, de tal modo que se acabou com o Serviço Militar Obrigatório e já não há ninguém com menos de 50 anos que saiba pegar numa arma e dar dois tiros.
A Guerra Colonial ainda abriu um precedente, em Portugal, e de 1961 a 1974 foram recrutados muitos milhares de mancebos que foram obrigados a aprender à pressa e foram enviados para África como carne para canhão. Com o fim dessa guerra abandonaram as Forças Armadas e partiram para a emigração ajudando a reconstruir a Europa que Hitler destruíra por completo. Ninguém pensou em manter um Corpo do Exército em condições de ajudar na defesa da Europa, no caso de isso se mostrar necessário.
Mas aconteceu ainda outra coisa que ajudou a transformar essa transição num grave problema para o nosso país. Enquanto a grande maioria dos soldados e tropas de baixa patente foram licenciadas, as tropas dos quadros, oficiais e sargentos, mantiveram-se ao serviço e muitos deles continuam, ainda hoje, a pesar na lista de remunerações que o Estado é obrigado a pagar-lhes. Isso vê-se. perfeitamente, no número de generais e almirantes que continuam na folha salarial do Estado, ou na reforma, o que vem a dar no mesmo.
E termino como comecei, a Nato devia ser extinta e criada, ao nível da Europa (comunitária ou não) uma nova organização que tratasse da nossa defesa, deixando aos americanos o encargo de se preocuparem com a deles. O Atlântico Norte não tem que ser um campo de batalha, mas sim um mar de oportunidades para criar riqueza que nos ajude a ter uma vida melhor. Essa organização deveria ter em consideração a diplomacia, como primeira prioridade, e formatar os três ramos das Forças Armadas, de modo a ser capaz de de enfrentar o inimigo de leste, se ele preferir continuar a ser inimigo em vez de aliado.
Excluindo aqueles que lucram com a guerra, todos ficariam beneficiados se vivessem em paz. A Rússia sabe isso muito bem e por experiência própria, pois com os gastos na defesa falta-lhes o dinheiro para tudo o resto. Sem conhecer em pormenor os detalhes de cada país europeu, eu diria que vivem muito pior os cidadãos russos que quaisquer outros europeus!


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